Palco do tamanho do Brasil

Com espetáculos vindos de dez estados do País, Palco Giratório começa hoje

Maria Eugênia de Menezes, O Estado de S.Paulo

02 de agosto de 2011 | 00h00

Um pedaço da produção teatral brasileira passa por São Paulo a partir de hoje. Em sua sexta edição, o Festival Palco Giratório, do Sesc, mantém a tradição de extravasar os limites do eixo Rio-São Paulo. Traz 18 espetáculos, vindos de 10 Estados.

Assim como nos anos anteriores, diversidade continua a ser palavra de ordem e dá o tom à programação, assegura Sidnei Martins, um dos curadores do evento.

Uma companhia de Aracaju, Sergipe, dá a largada na maratona artística. Na praça da Liberdade, o grupo Imbuaça apresenta a montagem de teatro de rua O Mundo Tá Virado, Tá no Vai ou Não Vai, Uma Banda Pendurada a Outra em Breve Cai.

Até o dia 28, as dezenas de encenações previstas devem circular pelas unidades do Sesc na capital. E também pelas cidades próximas: ABC, Osasco, Campinas e Santos.

Todos os trabalhos programados foram selecionados por um grupo de curadores que se espalha por todo o País. Primeiro, eles indicam as criações mais bem-sucedidas de suas regiões de origem. Depois, também conhecem as escolhas de outros profissionais. Para só então chegar a um consenso.

Se a tônica do Palco Giratório permanece a mesma, neste ano chama atenção o número de produções inéditas que poderão ser vistas por aqui. "Esse não é um critério da seleção. Mas, curiosamente, a maioria dos trabalhos ainda não passou por São Paulo", lembra Martins.

Caso de A Galinha Degolada, de Santa Catarina, que será levada ao palco do Sesc Pompeia. A peça é resultado da parceria de dois grupos: Persona Cia. de Teatro e Teatro em Trâmite. Debruça-se sobre a trajetória de uma família marcada por conflitos: quatro de seus cinco filhos sofrem de uma doença mental incurável.

Também do Sul vem A Tecelã, peça de teatro de animação para adultos. Nunca antes visto na capital paulista, o trabalho é da Caixa do Elefante Teatro de Bonecos, uma das mais destacas companhias brasileiras neste tipo de encenação. O público acompanha uma mulher capaz de tornar real tudo aquilo que tece com seus fios.

Descobertas e pesquisa. Ainda na parcela de inéditos, merecem destaque dois espetáculos de dança. Leve, trazido pela Coletivo Lugar Comum, de Pernambuco, foi concebido pelas bailarinas Maria Agrelli e Renata Muniz. Unindo coreografia e improvisação, a criação é uma investigação a partir da perspectiva da perda. E teve grande repercussão no Estado nordestino.

"Uma das intenções é justamente essa: fazer com que grupos que já são conhecidos em suas regiões possam ser descobertos aqui também", afirma Martins.

A região Norte é representada pelo Corpo de Dança do Amazonas. Com coreografia de Mário Nascimento, Cabanagem revê a revolta popular histórica, na qual índios, negros e mestiços se insurgiram contra a elite branca. A literatura de Marcio Souza foi uma das fontes de pesquisa.

Outro princípio que se pode ressaltar na grade é a opção por desdobrar o repertório de algumas companhias, que comparecem com mais de um espetáculo. Destaque da cena carioca, o grupo Teatro Independente mostra dois títulos: Cachorro! (2007) e Rebu (2010).

Apresentadas em paralelo, as montagens servem como retrato do desenvolvimento da escrita de Jô Bilac - jovem de 26 anos que já se firmou como uma das vozes mais interessantes da nova dramaturgia brasileira.

Ambas, já estiveram em temporada em São Paulo. Mas, como passaram apenas por espaços pequenos, voltam agora para ocupar salas maiores. "Havia uma demanda represada por peças como essas", justifica Martins.

Quem também revela duas criações são os cariocas da Amok Teatro. Em Dragão (2008) e Kabul (2009), o foco está direcionado para a guerra. Depoimentos reais sobre o conflito entre israelenses e palestinos emergem em Dragão. Já em Kabul, mira-se a intimidade de dois casais para se capturar um Afeganistão devastado, traumatizado pela violência.

PROGRAME-SE

A Galinha Degolada

Persona Cia. de Teatro e Teatro em Trâmite - SC

Sesc Pompeia, de 4 a 7

O Dragão

Amok Teatro - RJ

Sesc Belenzinho, dias 3 e 4

Kabul

Amok Teatro - RJ

Sesc Belenzinho, dias 6 e 7

No Pirex

Armatrux - MG

Sesc Consolação, dias 10 e 11

Dentrofora

grupo In.co.mo.de-te - RS

Sesc Ipiranga, de 11 a 14

Rebu

Teatro Independente - RJ

Sesc Ipiranga, dias 27 e 29

Leve

Coletivo Lugar Comum

Sesc Osasco, de 19 a 21

O Evangelho Segundo São Mateus

Delírio de Teatro - PR

Sesc Pinheiros, dias 17 e 18

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