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'Palavras Cruzadas' surpreende ao unir artistas jovens e múltiplos

Série idealizada e dirigida por Marcio Debellian faz interagir música, palavra e imagem no Rio

ROBERTA PENNAFORT - O Estado de S.Paulo,

05 de setembro de 2012 | 03h11

RIO - Há quatro anos, o produtor Marcio Debellian se perguntava: letra de música é poesia? O premiado documentário Palavra Encantada, com roteiro dele e direção de Helena Solberg, tratou de jogar a discussão para Chico Buarque, Adriana Calcanhotto, Arnaldo Antunes e outros artistas da composição.

A investigação toma novo terreno nas noites de Palavras Cruzadas, série idealizada e dirigida por ele que faz interagir música, palavra e imagem no Oi Futuro de Ipanema, no Rio. Começou no início de agosto e vai até outubro. Músico + poeta + artista visual = ? Cada combinação traz suas surpresas - para o público e para os envolvidos.

A primeira foi de Letuce, Bruna Beber e André Dahmer. Dahmer desenha e as imagens aparecem num telão atrás da banda, no qual também passam vídeos que dialogam com as letras das músicas. Um cheiro de maresia parecia ter saído do mar de Ipanema para o centro cultural: a vocalista, Letícia Novaes, com um peixe no cabelo, os versos de Conchinha e Mergulhei de Máscara, as cenas marinhas.

No fim de semana passado, vieram Leo Cavalcanti, Omar Salomão e Paulo Mendel. O primeiro impacto é visual: em placas de acetato e de papel suspensas no teto, são projetadas imagens e frases que soltam o fio da meada que os une ali. "Turbulências são apenas nuvens no caminho - alguém disse." "PS: Hoje eu vi uma folha na rua e pensei em você."

Performático, Cavalcanti canta faixas do CD Religar e faz versões de Noel Rosa e Chet Baker. Interpreta um texto de Salomão musicado por ele. Salomão, que já integrou e compôs para a banda Vulgo Qinho & Os Cara, pega o microfone e cita Walter Benjamin e William Burroughs. Ele ainda criou imagens. Mendel trouxe textos inspirados em músicas de Cavalcanti. Ninguém se conhecia direito além das reuniões prévias; não houve muito tempo para ensaio.

"Nesse mundo atual, tudo se entrelaça. A mistura de linguagem é uma marca da nossa geração, os músicos da banda tocavam vários instrumentos...", aponta Salomão, filho do poeta-letrista-artista visual Waly Salomão e autor de Impreciso, livro de poesia em que fotografia e desenho também são chamados ao diálogo.

"Depois do Palavra Encantada, fiquei pensando de onde viria a renovação da canção em termos estéticos, já que existe um certo esgotamento no formato. Comecei a pensar que o universo da canção seria atravessado pela imagem", explica Debellian, para quem a expressão "ditadura do olho sobre o ouvido", usada por Tom Zé no filme para falar dos tempos modernos, não passou batida.

A experiência tem forte caráter geracional: os convidados estão na faixa dos 20-30 anos, e desenvolvem variadas formas de expressão. São sempre três noites, sexta-feira, sábado e domingo.

Nos dias 5, 6 e 7 de outubro o palco será da banda Tono, do designer João Penoni e do poeta e ator Ramon Mello (os dois últimos, integrantes da Rio Occupation London, evento de linha crossover realizado na Olimpíada). A investigação entre as linguagens continua. Novos encontros estão sendo pensados e devem chegar a São Paulo. É possível que daí nasça um documentário ou ainda programas de TV.

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