Palavra de punk

Mike Dirnt, baixista do Green Day, promete que quem não for ver a banda vai se arrepender

Jotabê Medeiros, O Estado de S.Paulo

09 de outubro de 2010 | 00h00

De todas as bandas da segunda onda punk, a californiana Green Day se tornou a mais bem-sucedida. Em 2004, chegarou ao topo com uma ópera rock, American Idiot, que lhe valeu dois Grammy e acabou na Broadway, numa montagem que teve, ao final, os próprios músicos tocando entre os atores.

A banda foi fundada em Rodeo, Califórnia, pelos amigos Mike Dirnt (baixista, nascido Mike Pritchard) e Billie Joe Armstrong (guitarras e vocais). Ambos tinham 14 anos na época. Hoje, são estrelas, e do bem: apoiam entidades como a Hollywood for Habitat for Humanity. O New York Times estimou que a participação de Billie Joe durante uma semana no musical da Broadway levou o espetáculo a faturar mais de US$ 300 mil.

Dirnt falou ao Estado por telefone sobre a nova turnê pela América do Sul. O time é completado pelo baterista Tré Cool. Tocam no Rio (15/10), Brasília (17/10) e São Paulo (20/10).

American Idiot vendeu mais de 12 milhões de discos. Como está sendo a performance de seu mais recente disco, 21st Century?

Muito boa. A gente levou três anos para fazer esse disco, foi artesanal. Não tem a ambição conceitual do American Idiot, é um retorno às canções.

E como foi para uma banda que começou punk subir no palco de um teatro da Broadway?

Foi minha maior experiência como artista. American Idiot, ao ser adaptada para o palco, se tornou algo independente, é como se você visse algo que você criou crescendo longe de você, criando autonomia. Subir ao palco para tocar com os atores foi outra experiência radical. Geralmente, nós somos apenas três no palco.

Você e Billie Joe estão juntos desde crianças praticamente. A relação nunca cansa?

É uma relação muito espontânea. Musicalmente, a gente funciona como apoio um do outro. Não temos gostos iguais para tudo, mas repartimos a mesma sede artística. Não é uma relação perfeita, nós discutimos, já brigamos. Boas brigas, eu diria (risos). Nada demais.

Vocês sempre estão vinculados a campanhas sociais, filantrópicas, ações políticas afirmativas. Acha mesmo que a música pode mudar o mundo?

Acredito. Acho que a música pode mudar a forma de as pessoas se comunicarem. A gente tem de ter consciência de que, atingindo tantas pessoas no mundo em cima de um palco, poderemos em algum momento estar falando para gente que se tornará líder no futuro. Então, é preciso falar algo que tenha impacto na vida dessa pessoa, que a faça enxergar o caminho mais justo.

Em alguns casos, isso não é uma garantia. Por exemplo: o ex-primeiro-ministro Tony Blair costumava ter uma banda, tocava guitarra, e se tornou um líder intervencionista.

Sim, não é uma garantia. Não há garantias. Mas são coisas que precisam ser ditas. Música pode transmitir diferentes valores, e nós temos o compromisso de falar aquilo que acreditamos. Como eu tenho fé no que acredito, espero também que isso seja uma boa influência.

Um dos shows recentes de vocês, no Verizon Wireless, em 8 de agosto, foi uma loucura. Vocês tocaram uma série de covers, como Sweet Child O"Mine, Highway to Hell, Iron Man, Hey Jude, Satisfaction. Alguma chance de repetirem uma série assim de covers no show brasileiro?

Não dá para fazer sempre daquele jeito. Mas o que nós prometemos aos fãs no Brasil é o seguinte: vamos tocar alto, forte, e dar o nosso melhor. Quem for não vai se arrepender.

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