'Palácio do Fim' inicia temporada em São Paulo

O 11 de Setembro não mudou apenas os rumos da política internacional. Também a arte não é mais a mesma desde que a imagem de dois aviões se chocando contra as Torres Gêmeas correu o mundo. A literatura fez do fato - e de seus desdobramentos - inspiração para grandes obras, como é o caso de "Sábado", de Ian McEwan. Canções trataram do assunto. Cineastas se apropriaram do choque. Filmes como "Guerra ao Terror", de Kathryn Bigelow, são exemplo eloquente. Até mesmo em seriados televisivos, a nova ordem mundial impulsionou a criação de tramas e conflitos.

AE, Agência Estado

18 de janeiro de 2012 | 10h28

Nesse contexto, a estreia de "Palácio do Fim", que abre temporada paulistana na sexta-feira, não surge como voz dissonante. Vem engrossar o coro de uma série de manifestações. O que não lhe tira, cabe ressaltar, seu quinhão de singularidade.

Dirigida por José Wilker, a peça examina os horrores da Guerra do Iraque. Para construir o texto, a dramaturga canadense Judith Thompson valeu-se de reportagens e casos amplamente divulgados pela imprensa.

Não faz ficção, no sentido estrito do termo. Mas está longe de incorrer no documentário. "O que me encantou não foi propriamente o fato de se denunciar uma guerra injusta", aponta Wilker, que assistiu a uma montagem do texto em Nova York, em 2008. "Mas o modo como a autora contava aquela história. Como ela conseguia arrancar poesia, uma brutal ternura daquele assunto."

Três personagens são convocados à cena. Defendem pontos de vista absolutamente distintos sobre o conflito. A atriz Camila Morgado abre a encenação. Toma o papel de Lynndie England, a soldado norte-americana que chocou a opinião pública ao posar para fotos na prisão de Abu Ghraib, no Iraque.

Antônio Petrin também interpreta um personagem que o público conhece dos noticiários. Até hoje, controvérsias cercam a morte do cientista britânico David Kelly. Foi mesmo suicídio? Ou o assassinato de quem sabia demais? Ex-inspetor de armas da ONU, Kelly revelou ao mundo a grande farsa que serviu de subsídio à invasão do Iraque.

Fecha o painel a saga de Nehrjas Al Saffarh. A partir do relato de um amigo, a dramaturga delineou o percurso da ativista do Partido Comunista, vivida por Vera Holtz, que foi torturada pela polícia secreta de Saddam Hussein. Por sua interpretação, Vera foi indicada para o Prêmio Shell de melhor atriz no Rio de Janeiro. O espetáculo, aliás, lidera as indicações na premiação. Concorre também nas categorias direção, figurino e iluminação. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Palácio do Fim - Sesc Consolação - Teatro Anchieta (Rua Dr. Vila Nova, 245). Tel. (011) 3234-3000. 6ª e sáb., às 21 h; dom., às 18 h. R$ 8 a R$ 32. Até 11/3.

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