Painel da Comic Con irá celebrar ‘O Cavaleiro das Trevas’

Quadrinho de Frank Miller, que está prestes a completar 30 anos, é destrinchado em painel da convenção paulistana; evento termina hoje

Pedro Antunes, O Estado de S.Paulo

06 de dezembro de 2015 | 05h00

Bruce Wayne já tem a cabeça coberta por fios de cabelos brancos. Está aposentado da vida de combatente do crime Batman. Gothan City seguiu em frente sem a presença dele, mas grita por socorro – aos ouvidos dele, é claro. A onda de violência, a maior em muitos anos, motiva o bilionário a voltar a vestir o capuz e a máscara de morcego.

O Batman de O Cavaleiro das Trevas, HQ clássica de Frank Miller, transformou o gênero em diferentes níveis. Está entre as leituras indispensáveis para qualquer um que queira se enveredar pelo universo dos quadrinhos. Enquanto o primeiro volume dessa agora trilogia está prestes a completar 30 anos de existência, a terceira e última parte dessa trajetória será destrinchada em um painel dedicado exclusivamente a ela neste domingo, 6, último dia da Comic Con Experience, evento de cultura pop realizado na São Paulo Expo, na zona sul, com a presença do próprio Miller.

Em Dark Knight 3: Master Race (ainda sem nome em português, embora o quadrinho vá ser lançado no Brasil pela Panini Comics em 2016), Miller não está mais sozinho. Brian Azzarello, conhecido pelo trabalho excelente na série 100 Bullets, nas HQs da Mulher-Maravilha, entre outros, acompanha o gênio dos quadrinhos nessa narrativa que encontra um Batman novamente foragido. Os desenhos, assinados por Andy Kubert, são mais fluidos do que aqueles do próprio Miller, da primeira HQ, lançada em 1986, mas apontam o caminho manso seguido pelo próprio quadrinista. Não há a crueza do álbum clássico, ao mesmo tempo que também dignifica a proposta de não se fixar na estética original da obra.

É a jogada mais acertada a se fazer, sem dúvida. O Cavaleiro das Trevas, relançado com nova capa na CCXP (DC/Panini; 516 págs.; R$ 94), resiste ao tempo, mantém a violência, de bandidos e dos heróis, quase como uma fotografia contemporânea. Miller sempre foi sucinto em seus diálogos. Pessoalmente, fala pouco, assim como o seu Batman. E compartilha com o herói uma necessidade acima de qualquer racionalidade.

Em papo com fãs, na última sexta-feira, 4, Miller disse que escrever histórias em quadrinhos era sua vontade desde os 5 anos de idade. Levou a ideia a sério. Demorou para ser pago decentemente, receber um salário que garantisse seu sustento sem um outro trabalho. É guiado pela vontade quase irracional de criar. Seu Batman tem, dentro de si, uma necessidade inerente de combater o crime. Não se importa com as consequências dos seus atos. Não mede esforços para realizar aquilo que ele acha de bem. Muitos o confundem, entendem que essa versão do herói é humana, mas, na verdade, é a mais animalesca de todas. Um instinto que guia criador e criatura.

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