Padre quer que filme chegue a comunidades distantes

"Sou a pessoa certa para fazer esse filme." Assim Tizuka Yamasaki telefonou para a produtora Gláucia Camargos e literalmente se contratou para dirigir Aparecida - O Milagre. O filme tem tudo para ser, em uma comparação grosso modo, o "Chico Xavier católico" deste verão.

Flavia Guerra, O Estado de S.Paulo

17 de dezembro de 2010 | 00h00

Comparações à parte, depois do já citado Chico Xavier e de Nosso Lar terem levado milhões aos cinemas, será a vez de os católicos brasileiros verem na tela um de seus maiores mitos. Qual a expectativa da comunidade católica? Basta ler o comentário de uma devota em um site: "Que maravilha, o mundo precisa urgente de filmes religiosos, católicos, principalmente que falam de Nossa Senhora Mãe de Deus. Mais uma forma de evangelizar, isso é muito importante neste mundo tão difícil que encontramos em muitas pessoas, a falta de fé, de amor aos irmãos?"

Diante do "fenômeno da fé" no cinema nacional, o Estado conversou com o padre Darci Nicioli, reitor do Santuário de Aparecida, para quem a figura de Tizuka se encaixa perfeitamente nos valores que A Padroeira transmite. "Ela conseguiu unir cinema e espiritualidade. Filme não vai só falar com os católicos, mas com todos que têm fé."

Apesar de Aparecida não ser "um filme para católico", como a comunidade religiosa recebeu o filme?

Muito bem. Foi uma ótima surpresa. Há muitas peças, filmes, documentários sobre o tema, mas nenhum com esse nível de profissionalismo. O longa não fala de religião, nem é piegas. É uma história sobre o drama humano de crer ou não crer. A própria Tizuka não tem religião, mas sua espiritualidade é tema recorrente em seu trabalho.

E o fato de ela ser filha de imigrantes japoneses, e viver em um país onde a palavra de ordem é o sincretismo, colabora para isso, não?

De fato. O brasileiro tem um jeito específico de ser espiritualista. Podemos não seguir uma certa religião, mas a respeitamos. Você acredita que até evangélicos visitam o Santuário de Aparecida?

Talvez muito por conta do arquétipo materno que ela representa.

Exato. E é nesse sentido que Aparecida tem tudo para ser um filme que será visto por muita gente. Minha única preocupação é que os cinemas estão todos em grandes centros. Há a questão do deslocamento, mas gostaria muito que as comunidades mais distantes, menores, pudessem também ver o filme.

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