Padilha deve seguir na presidência da ABL

No dia 6, o filósofo Tarcísio Padilha reassumiu seu posto de presidente da Academia Brasileira de Letras e garantiu a possibilidade de um novo mandato. Depois de um grave problema na vista, Padilha chegou a pedir demissão do cargo. Alguns membros da academia se opuseram, entre eles o veterano Josué Montello, na casa desde o ano de 1954."Falei para ele que o certo era pedir uma licença, assim poderia se recuperar", afirma Montello. Durante sua ausência, a presidência ficou a cargo do poeta Carlos Nejar.De fato, a recuperação ocorreu. Agora, Padilha já diz que, se os acadêmicos quiserem, pode dirigir a casa em 2001. Explica que suas prioridades seriam manter ou ampliar as atividades abertas ao público e avançar na criação de uma biblioteca informatizada, mas que a questão da sua sucessão ainda não foi bem discutida."Sinto realmente entre meus colegas manifestações de que o desempenho ao longo deste ano foi positivo, de que houve um julgamento bastante lisonjeiro; acho que as coisas caminham nessa direção."Outro assunto que continuará em pauta é a transformação do Prêmio Machado de Assis, o mais importante concedido pela casa, em uma premiação latino-americana.Essa foi uma das propostas de Carlos Nejar debatidas durante o período em que esteve à frente da ABL. Também quer estreitar os laços da academia com as universidades, em especial com aquelas que mantêm cursos de letras.Na opinião de Padilha, a vida da ABL é influenciada não apenas pela tradição, mas também pelo que ocorre do lado de fora da casa. A redemocratização do País teria também tido resultados sobre a instituição, que durante o regime militar nunca se posicionou firmemente contra a censura. Ele identifica na gestão Nélida o momento em que a ABL iniciou o processo de aproximação da população. "Ela criou as visitas guiadas, por exemplo, e teve, no ano do centenário da academia, uma relação bastante positiva com a imprensa", diz.Apoios - "Com toda a certeza, a reeleição de Padilha seria manter uma tradição", afirma Arnaldo Niskier, que dirigiu a casa do fim de 1997 a 1999. "O natural é que a pessoa tenha um segundo mandato; Padilha tem o direito sereno e tranqüilo de ter um mandato completo, uma vez que seu problema na vista o atrapalhou nesta atual gestão."É algo parecido com o que diz Montello, que presidiu a instituição entre 1993 e 1995. Na sua opinião, a academia acertou ao limitar a presidência a dois mandatos consecutivos. "Padilha tem de ter a possibilidade análoga à que tive", afirma ele.Para a vaga da cadeira 33, aberta com a morte de Afrânio Coutinho, o mais forte candidato é o filólogo Evanildo Bechara, autor de manuais de ensino de português.Na opinião de Lygia Fagundes Telles, por exemplo, sua eleição preenche um vazio deixado após a morte do também filólogo Antonio Houaiss. Outros membros da academia mantêm posição semelhante. O mais forte oponente de Bechara é o poeta e ensaísta Gilberto Mendonça Teles, autor, entre outros, de "A Escrituração da Escrita" (Vozes).

Agencia Estado,

20 de novembro de 2000 | 16h59

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.