Ouvidos ligados na sala São Paulo

Roberto Minczuk volta a reger Osesp em concerto que celebra Cláudio Cruz

João Luiz Sampaio, O Estado de S.Paulo

22 de abril de 2010 | 00h00

Maestro e solista. Roberto Minczuk e Cláudio Cruz durante ensaio na Sala São Paulo, na tarde de terça-feira

 

  Os olhos e ouvidos da cena clássica paulistana vão se voltar para a Sala São Paulo na noite de hoje. Lá, a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo faz mais um concerto de sua temporada. Mais um? Não exatamente. De um lado, o spalla do grupo, Cláudio Cruz, comemora 20 anos na função, solando a estreia de uma obra brasileira, o Concerto para Violino e Orquestra de Ronaldo Miranda; de outro, as apresentações marcam a volta de Roberto Minczuk ao comando da Osesp, da qual foi diretor adjunto até desentendimentos com o maestro John Neschling o levarem a deixar a orquestra, em 2005.

A briga Minczuk/Neschling foi um dos assuntos prediletos nos bastidores da vida musical brasileira nos últimos anos. Pouco depois de assumir o Festival de Inverno de Campos do Jordão, em 2004, Minczuk deixou o cargo na Osesp alegando a busca por novos desafios e acabou por assumir a Sinfônica Brasileira, no Rio, e a Orquestra de Calgary, no Canadá. Ficou como regente convidado principal na sinfônica paulista, só que a nova relação durou pouco - exatamente um concerto, em maio de 2005.

A Sala ficou pequena demais para os dois maestros? Ambos os lados costumam diminuir a pendenga. Minczuk acha natural a expectativa, mas não quer saber de polêmica nessa volta. "Estou feliz, a semana tem sido muito boa, tranquila, a orquestra muito bem, respondendo musicalmente. A experiência de fazer música tem sido verdadeiramente prazerosa. E, do ponto de vista pessoal, é muito bom voltar ao lugar onde investi tanto da minha vida, da minha energia, meu talento. A Osesp é uma passagem muito importante da minha vida", diz o maestro. Além do Concerto para Violino e Orquestra de Ronaldo Miranda, a Osesp toca a Abertura Zur Namensfeier, Op.115, de Beethoven, e a Sinfonia n.º 1, Titã, de Mahler.

Aniversário. Cláudio Cruz atua desde 1990 como spalla - primeiro violino, espécie de líder entre os músicos e responsável, ao lado do maestro, por escolhas de interpretação - da Osesp. O aniversário tem algumas comemorações previstas. Além dos concertos desta semana, estará disponível no site da Osesp, para download gratuito, um disco em que ele interpreta os concertos para violino de Max Bruch e Tchaikovsky. "Desde o primeiro dia que toquei na orquestra, eu procurei tocar como se estivesse tocando uma sonata ou um concerto", diz Cruz, fazendo balanço dos 20 anos como spalla.

Nos últimos anos, Cruz tem se dedicado cada vez mais à regência, recebendo elogios de artistas como a pianista Maria João Pires. Dirigiu a Sinfônica de Campinas e agora está à frente da Sinfônica de Ribeirão Preto. Difícil falar de adeus em momento de festa. Mas Cruz, em entrevista ao Estado, não esconde a dificuldade de conciliar a carreira crescente como maestro com as atividades de spalla.

OSESP

Sala São Paulo (1.484 lug.). Praça Júlio Prestes, 16, tel. 3223-3966. Hoje e amanhã,

21h; sáb., 16h30. R$ 36/ R$ 122

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