Outra história dos anos 60

Angus MacLise, primeiro baterista do Velvet Underground, é tema de mostra

Ben Sisario, do The New York Times, O Estado de S.Paulo

08 de maio de 2011 | 00h00

Especialistas vão reconhecê-la como uma das primeiras imagens do Velvet Underground, em meados dos anos 60: estão lá o sorriso de Lou Reed, o terno impecável de John Cale, um sombrio Sterling Morrison. E há também um cara coçando a cabeça, ao fundo. Trata-se de Angus MacLise, cuja atuação como primeiro baterista da banda lhe garantiu não mais do que uma nota de rodapé nos anais da música. Mas, agora, uma exposição que fala de sua atuação como músico, poeta e artista visual, pode enfim lhe garantir algum reconhecimento.

MacLise morreu em 1979, em Katmandu, no Nepal, deixando poucos rastros - ele não aparece em nenhuma das gravações comerciais do Velvet Underground. Era um boêmio incorrigível, conta Reed, que não suportava receber ordens sobre quando começar e parar de tocar. Mas ao longo da última década, vários músicos e historiadores têm investigado as primeiras gravações caseiras da banda e feito descobertas, para ressuscitar o legado de MacLise. A mais importante delas foi um baú repleto de poemas, desenhos, fotografias e outros papéis. E é esse material a base da mostra Dreamweapon, aberta na semana passada na galeria Boo-Hooray, em Nova York.

"A exposição oferece uma história alternativa dos anos 60 e 70", diz o curador Will Cameron. Há peças que mostram o diálogo que ele manteve com figuras como Andy Warhol, Allen Ginsberg, William S. Burroughs e o cineasta Ira Cohen, que morreu na semana passada aos 76 anos. "E outras dão testemunho de seu misticismo e como ele se traduziu em movimentos artísticos de vanguarda."

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