Ousadias de quem é louco por vinho

Você está disposto a pagar US$ 450 para provar 60 mililitros de cinco tintos da Califórnia raríssimos, considerados os ?cult wines? por uma revista especializada? Pois bem, não são poucos os que estão fazendo suas reservas para essa superdegustação que acontecerá no dia 5 de agosto, durante o 3.º Encontro Internacional do Vinho do Espírito Santo, de 3 a 6 de agosto, em Pedra Azul, uma zona de montanhas muito bonita, uma espécie de Campos do Jordão capixaba.Durante esses dias, o Espírito Santo se transforma numa espécie de capital do vinho, reunindo apreciadores, negociantes, enólogos, jornalistas e importadores. Uma iniciativa que já deu muito certo em suas primeiras edições.Toda essa movimentação é fruto do trabalho de um grupo de entusiastas do vinho reunidos na Sociedade dos Amigos do Vinho do Espírito Santo - Soaves, que tem à frente o médico Roberto Serpa. Todos os anos, há uma degustação considerada superespecial, uma verdadeira loucura. No ano passado, foi uma prova de várias safras do Le Pin, um vinho do Pomerol lendário e caríssimo. Este ano, os capixabas realmente ?viajaram?, foram mais longe: mandaram um emissário a Los Angeles para comprar os exemplares que foram classificados como ?cult wines? pela revista Wine Spectator, uma tarefa que revelou-se mais difícil do que se pensava, pois, além de caríssimos, são produzidos em quantidades mínimas e muito procurados pelos colecionadores norte-americanos. O emissário da Soaves percorreu toda a Los Angeles, andou pelo Napa Valley e acabou conseguindo as garrafas dos vinhos da safra da 1996, todos feitos com a Cabernet Sauvignon: Screaming Eagle, Maya Dalla Valle, Harlan Estate, Araujo Eisele e Bryant Family. Depois de feitos os cálculos, foram abertas apenas 16 vagas para a degustação. Os interessados em participar desse grande encontro do vinho devem passar um fax para (0xx27) 225-4727.Outras degustações especiais: Califórnia versus Bordeaux (comentada por Jorge Carrara); Vertical (várias safras) do Vega Sicília (Ennio Federico); os vinhos da elite do Chile (Patrício Tápia); Dom Perignon ao longo dos anos (enólogo Philippe Mevel) e seis dos melhores tintos da Argentina (Saul Galvão).A programação pode começar por um curso de degustação em seis aulas e prevê, sempre com degustações: ?Carmenère, o renascimento de uma velha cepa?, pelo enólogo chileno Philippe Tomaszewiski; ?Vinho orgânico, suas origens e seu futuro?, pelo enólogo chileno Alvaro Spinoza; ?Abaixo a estandartização, valorize a tipicidade da região?, por Antonio Lapa Silveira; ?Barolo: uma vertical com o produtor?, pelo enólogo italiano Gianni Gagliardi; ?Dom Melchor: dez safras de regularidade?, pelo enólogo chileno Enrique Tirado; ?As raridades e preciosidades da Espanha?, por Artur Piccolomini Azevedo; ?1990: a excelente safra mundial?, por Mário Telles Júnior; ?Onde está o Barca Velha?, por Carlos Ernesto Cabral e ?As diversas fases na produção do espumante?, pelo enólogo Philippe Mevel.

Agencia Estado,

07 de julho de 2000 | 18h03

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