Oumou Sangare, a diva do Mali

Longe da badalação estelar de Macy Gray ou Chaka Khan, a malinesa Oumou Sangare, de 43 anos, vem pela primeira vez ao País e traz ao festival Black2Black uma delicadeza e um refinamento musical que sugere um daqueles fenômenos astronômicos raros. Esse tipo de sofisticação musical começou a chegar aos ouvidos do mundo com o malinês Ali Farka Touré, em 1994, no disco que fez com Ry Cooder, Talking Timbuktu, que ganhou um Grammy.

Jotabê Medeiros, O Estado de S.Paulo

25 de agosto de 2011 | 00h00

Na esteira de Ali Farka Touré (o John Lee Hooker do Mali) e Salif Keita, vieram Amadou e Mariam, Habib Koité, Bassekou Kouyate, Toumani Diabate, entre inúmeros outros. Terra de griôs, indivíduos que se tornam líderes comunitários pelas habilidades musicais, pátria mãe do blues (e, por extensão, de muito do que conhecemos como música afro-americana), o Mali é uma nação no Oeste da África na qual se falam sete idiomas (peul, tamachek, songhai, gozo, hassania, dogon e francês).

Muitos músicos têm ido até o Mali em busca desse Eldorado musical: Manu Chao, Ry Cooder, Bela Fléck (que fez um belo documentário com a participação de Oumou Sangare, Throw Down Your Heart). É linda a participação de Oumou cantando Djorolen no filme de Bela Fléck.

O Mali, atualmente, tem duas divas do tipo exportação: Rokia Traore e Oumou Sangare. Ambas são estonteantes, mas Oumou traz um tipo de pop africano que não vive só daquele tipo de transe musical característico. Ela começou a cantar nas ruas de Bamako, a capital, ainda criança, para ajudar a mãe - o pai largou a família quando ela tinha 2 anos. "Aos 13 anos, eu era responsável por toda minha família", contou. "Cantava em casamentos e batizados para conseguir dinheiro."

Hoje, ela mantém no Mali a Fondation Oumou Sangare, distribui alimentos e donativos, milita pelos direitos das mulheres africanas e é uma ativista respeitada.

Na música de Oumou, a mistura de instrumentos africanos tradicionais, como ngoni, balafon, flautas e percussão, com órgão, guitarra elétrica, saxofone e trombone. Ela se tornou um fenômeno em 1990, quando seu disco Moussolou chegou a vender 250 mil cópias, uma marca invejável até hoje em seu país.

Há dois anos, no programa de Jools Holland, Oumou tocou um funk africano chamado Sounsoumba (do disco mais recente, Seya), acompanhada de uma percussão feminina típica, instrumentos que parecem cabaças gigantes. Muitas canções de Oumou, como Yala, tem uma pegada de pop internacional, mas com apelo ancestral.

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