Otávio Martins

Um dos atores mais profícuos de sua geração, ele tem se firmado também como diretor: atualmente, assina a montagem da peça Circuito Ordinário

Maria Eugênia de Menezes, O Estado de S.Paulo

11 de setembro de 2011 | 00h00

Esse novo espetáculo que você está dirigindo, Circuito Ordinário, é um texto escrito nos anos 1970, em plena Guerra Fria. Por que montá-lo agora? Ele faz sentido hoje?

Acho uma bobagem essa história de atualizar um texto. Ou ele é atual ou não é. Quando fiquei pensando como essa obra do Jean-Claude Carrière funcionaria hoje me dei conta de que ele fala de liberdades individuais. E isso faz todo sentido nesse nosso cenário de ausência de privacidade. Vivemos hoje uma liberdade completamente vigiada. Cercados por câmeras e celulares.

E como descobriu esse texto?

Na verdade, me chamaram para fazer como ator. Mas, assim que li, pensei que eu queria, na verdade, dirigir. Estou gostando muito desse processo.

Mas você tem gostado mais de dirigir do que de estar no palco?

Não é uma questão de trocar uma coisa pela outra. Mas dirigir tem um prazer completamente diferente de atuar. O Paulo Autran me dizia uma coisa e eu acho que ele tem toda razão: se você gosta de um personagem, você tem que atuar. Mas se você gosta de uma peça como um todo, tem que dirigir.

A escolha da Denise Del Vecchio para o papel... foi sua?

A princípio, o texto não especifica se o personagem é um homem ou uma mulher. É um espião e tudo indica que seja um homem. Mas acho que a Denise é o grande trunfo dessa montagem. Existem boas atrizes, ótimas atrizes e um Olimpo, que é habitado por muito pouca gente. Para mim, existem apenas cinco atrizes que estão hoje nesse lugar: a Denise Del Vecchio, Denise Weinberg, Juliana Galdino, Andrea Beltrão e Suely Franco. O que elas fazem é de um nível de sofisticação único.

Além da direção, você também tem se arriscado na produção.

Tem gente que acha que o que a gente faz é supérfluo, é um hobby. Arte não é aquilo que você faz antes da pizza no sábado à noite. E isso é difícil de explicar num país que não tem política cultural. Basta pensar que o Black Eyed Peas, a Ariane Mnouchkine e o Bortolotto têm que disputar uma mesma lei. Isso não faz o menor sentido. Mas não adianta a gente querer discutir os meios de produção cultural sem olhar para o que acontece na administração e na política do País como um todo.

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