Oswaldo Mendes prepara biografia do dramaturgo

Há exatamente um ano, o diretor da editora Senac, Quartim de Moraes, propôs ao dramaturgo e ator Oswaldo Mendes que escrevesse a biografia de Plínio Marcos. "Achei que não era o momento e adiei a decisão", comenta Mendes. Agora resolveu topar a empreitada. "Mas ainda não conversei oficialmente com as pessoas envolvidas."Apesar do momento em que foi feito o convite - logo após a cerimônia de cremação do corpo do dramaturgo -, ele não foi motivado pela emoção. Mendes é autor da excelente biografia Ademar Guerra: o Teatro de um Homem Só, editada pela Senac, por meio da qual provou ter talento para equilibrar informação objetiva e o olhar "subjetivo". Talento fundamental para o resgate das boas histórias que sempre envolvem biografados como o diretor de Hair ou o autor de Navalha na Carne e ampliam o prazer da leitura.E, não menos importante, Mendes foi amigo pessoal de Plínio Marcos, com quem conviveu a partir da década de 70, seja profissionalmente, seja trocando idéias em bares como Gigetto ou Piolim. Ambos conheceram-se em 1966 em Marília, cidade natal de Mendes, onde Plínio Marcos levou uma montagem de Dois Perdidos numa Noite Suja. "Na época, ninguém queria encenar a peça com medo da censura, antes de mais nada, e também temendo que o texto não atraísse o público", lembra Mendes. "Daí Plínio ter feito uma montagem para mambembar na qual ele mesmo atuava."Pouco depois, Mendes mudou-se para São Paulo e voltou a conviver com o dramaturgo santista no jornal Última Hora. "Eu era editor e escrevia sobre teatro e ele era um dos colaboradores." Apesar da afinidade artística - ambos atores e dramaturgos -, jamais chegaram a realizar uma parceria artística. "No começo dos anos 80, quando Plínio fundou o grupo O Bando, comecei a ensaiar Quando as Máquinas Param, com Francisco Milani e Alzira Andrade." Mas, por problemas de produção, a montagem não chegou a estrear.Ao biografar Ademar Guerra, Mendes utilizou um interessante recurso de linguagem - criou o texto em primeira pessoa, como se Guerra contasse sua história. Isso nas páginas ímpares do livro. As páginas pares ele reservou para reproduzir artigos sobre o biografado, críticas de suas encenações ou depoimentos sobre sua criação teatral. Mendes ainda não parou para pensar no formato do novo trabalho. "Mas de uma coisa eu tenho certeza - o Plínio escreveu sua biografia, eu só preciso editá-la."A verdade é que em livros como O Truque dos Espelhos ou Figurinha Difícil, Plínio Marcos criou histórias de forte cunho biográfico. "Ele já contou sua história da forma como gostaria que fosse contada, como a reportagem de um tempo mau." Um dos formatos imaginados por Mendes é o de reproduzir histórias contadas pelo dramaturgo, seja em livros, artigos ou entrevistas, acrescentados de pequenos textos explicativos, para contextualizar fatos ou identificar personagens envolvidos."Claro que seria necessário também traçar um panorama de Santos na década de 50, de São Paulo nas décadas de 70, 80 e 90, mas, por enquanto, são especulações, nada está decidido."

Agencia Estado,

17 de novembro de 2000 | 19h16

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