José Patricio/AE
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Osesp faz transmissão pela internet com nova titular

Orquestra faz transmissão pela internet e começa a gravar com nova titular

João Luiz Sampaio, O Estado de S.Paulo

25 de agosto de 2011 | 00h00

Entrevista  Marin Alsop

NOVA REGENTE DA OSESP

A Osesp faz no sábado, às 16h30, a primeira transmissão de um dos seus concertos pela internet. Na regência estará a titular do grupo a partir de 2012, Marin Alsop, que rege o Concerto para Violino de Korngold e a Sinfonia n.º 5 de Prokofiev - o mesmo programa será apresentado hoje e amanhã na Sala São Paulo.

Em entrevista exclusiva ao Estado, Alsop define como um "teste" a transmissão, que será feita pelo site www.concertodigital.osesp.art.br - ainda não há confirmação sobre a permanência da iniciativa nos próximos anos.

Os concertos desta semana marcam também o início da primeira gravação da maestrina com o grupo. A Quinta de Prokofiev será registrada, abrindo projeto de gravação de todas as sinfonias do compositor para o selo Naxos, do qual Alsop é artista. A orquestra tem contrato com o selo BIS, firmado nos anos do maestro John Neschling como diretor artístico. Mas, segundo a Fundação, o novo contrato não anula o anterior. Para o selo BIS, será gravado em 2012 um disco com o maestro Frank Shipway, outro com obras para trompete (com Ole Edvard Antonsen) e um de danças brasileiras.

Questionada sobre o valor do contrato com a Naxos, a orquestra disse apenas, por meio de sua assessoria de imprensa, que ele ainda não está assinado e, portanto, "não é possível apresentar valores" - mas que eles "seguem as normas de mercado".

A transmissão do concerto de sábado será um evento isolado? Há planos concretos de ampliar a iniciativa, torná-la regular nas próximas temporadas?

Estamos contentes com esse primeiro teste. Estar na internet é fundamental, permite buscar novas plateias e, como será no sábado à tarde, ou seja, à noite na Europa, vai permitir que lá fora as pessoas saibam o que anda acontecendo por aqui. A nossa percepção é clara: não adianta apenas fazer bons concertos, é preciso comunicar o que fazemos. Nesse sentido, acho que será importante transformar essa iniciativa em algo duradouro.

A senhora fala em atrair novos públicos. Como levar o internauta para a sala de concertos?

É esse o desafio. Quando se pensa em um artista como Justin Bieber é incrível perceber como ele surgiu com a internet, foi ela que o transformou em fenômeno. É admirável a maneira como o universo pop constrói carreiras. Hoje, a palavra fundamental é "relacionamento". É necessário estabelecer uma relação direta com o público. E as orquestras têm feito um péssimo trabalho nesse sentido. Assim, a nossa transmissão não terá apenas o concerto. No intervalo, vamos falar sobre a peça tocada, vou mostrar os bastidores da interpretação. Com isso vai se estabelecendo uma relação com o público e é isso que vai levar as pessoas aos concertos, a comprar os discos da Osesp e assim por diante.

Fala-se muito na necessidade de "vender" melhor a música clássica. Nesse sentido, o que exatamente o produto concerto tem a oferecer às pessoas?

O público está envelhecendo e os jovens associam o concerto a algo que não é dinâmico, não querem fazer parte dele, é como se fosse algo que pertencesse a outra geração, um território proibido. Não sei, talvez possamos fazer concertos nos quais quem tem mais de 40 anos não poderá entrar (risos). Enfim, uma vez que a educação musical não faz mais parte da vida cotidiana da criança e dos jovens, nós podemos fazer esse papel, trabalhar cada vez mais por projetos educacionais. E aos poucos devolver às pessoas a sensação de que a música é relevante para a vida delas. A internet dá essa sensação de proximidade. E, precisamos reconhecer, o universo dos concertos é rígido demais, há tantas regras: como se vestir, quando aplaudir. Isso não é necessário.

Por que foi escolhido este concerto especificamente para a primeira transmissão?

Temos um grande solista, o violinista Renaud Capuçon, que vai tocar o concerto de Korngold, uma peça que se aproxima da música de cinema. Além disso, o Prokofiev é bastante acessível, é um compositor que tem um pé no passado e outro no futuro, moderno e tradicional ao mesmo tempo.

A senhora escolheu a integral das sinfonias de Prokofiev como seu primeiro projeto de gravação com a Osesp. Por quê?

Eu vinha conversando com o selo Naxos sobre novos projetos e eles já haviam demonstrado interesse em substituir as gravações que já têm em catálogo dessas obras. Sugeri a eles que fizéssemos com a Osesp, o que agradou muito à gravadora. E acredito se tratar de um compositor bom para a Osesp, que se ajusta às suas melhores características, como o alcance dinâmico, a flexibilidade do som.

Além de Prokofiev, a senhora já tem novas projetos de gravação com a orquestra?

Nada está definido, mas posso dizer que acredito que a parceria com o selo Naxos poderá trazer frutos importantes e deve continuar depois desses álbuns.

OSESP

Sala São Paulo. Praça Júlio Prestes, 16, telefone 3223-3966. Hoje e amanhã, às 21 h; sáb.,

às 16h30. R$ 24/ R$ 135

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