Osesp abre turnê europeia no Royal Albert Hall

A Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo faz nesta quarta-feira à noite, no Royal Albert Hall, o primeiro dos quatro concertos de sua turnê europeia, que passará também por Aldeburgh, Wiesbaden e Amsterdã. Esta é a quinta turnê internacional da orquestra desde sua reformulação, no fim dos anos 90 - e a primeira sob o comando da nova regente titular Marin Alsop, em um momento de definição na vida do conjunto.

AE, Agência Estado

15 de agosto de 2012 | 10h10

A Osesp traz dois programas à Europa. Em Londres, o grupo participa do festival Proms. Vai interpretar a "Sinfonia Novo Mundo", de Dvorak; a "Fanfarra para Um Homem Comum", de Copland; "Estância", de Ginastera; e o "Momoprecoce", de Villa-Lobos, com Nelson Freire como solista. Já em Aldeburgh e em Amsterdã, o solista será o violoncelista Antonio Meneses, que interpretará o concerto de Dvorak (a orquestra toca ainda a "Abertura Concertante", de Camargo Guarnieri, e a "Sinfonia n.º 4", de Tchaikovsky).

"O Momoprecoce é uma peça interessante, uma sequência de miniaturas que evocam coloridos diferentes", diz Freire, vindo de uma temporada nos Estados Unidos. Já Meneses, que encontra a orquestra na Inglaterra depois de recitais na Escócia com a pianista Maria João Pires, lembra que já tocou com a Osesp e Marin Alsop o concerto de Dvorak, o que "facilita muito as coisas." Procurada pela reportagem, Alsop não respondeu ao pedido de entrevista. Já o diretor artístico Artur Nestrovski, em depoimento recente, comparou o concerto do Proms à apresentação de Tom Jobim e João Gilberto no Carnegie Hall, nos anos 1960.

O comentário não leva em conta apresentações passadas da Osesp em salas importantes - como o Musikverein, de Viena -, ou o fato de que, na verdade, a carreira internacional da orquestra vem sendo construída desde o início dos anos 2000, data do lançamento dos primeiros álbuns em parceria com o selo BIS. De 2006 até o começo deste ano, a orquestra também mantinha entre seus prestadores de serviço a empresa americana Jay Hoffmann & Associates. "O objetivo era construir a imagem da Osesp lá fora", conta Hoffmann, por telefone, de Nova York. "O grupo tinha turnês programadas, mas isso não é suficiente, você tem que levar jornalistas a São Paulo, insistir que não se trata apenas de uma orquestra, mas de um projeto mais amplo e assim por diante", explica. A Osesp está bancando cerca de 80% dos custos da viagem da turnê.

No começo deste ano, a empresa de Hoffmann foi substituída pela europeia Albion Media, que já trabalhava com Marin Alsop. Para ele, o momento lá fora é de expectativa e consolidação. "Mais do que qualquer outro, o nome de Alsop é central neste momento. Ela agrega sua presença no cenário internacional ao grupo, é um nome sólido, com o qual a orquestra tem que estreitar as relações", diz.

A presença de Alsop em São Paulo tem despertado a curiosidade da imprensa inglesa. O programa do concerto em Londres bagunça as cidades e afirma que a Osesp faz sua estreia no Proms e recebe da Grã-Bretanha o bastão, "uma vez que Brasil receberá a próxima Olimpíada". A "Gramophone" dedicou uma reportagem especial à orquestra em sua edição de julho. E, no fim do mês, o "Financial Times" publicou uma longa entrevista com Alsop, na qual ela diz que ainda é prematuro falar da Osesp como uma orquestra de nível internacional, mas afirma que vê o Brasil como "um país com fome de grandeza". As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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