Keiny Andrade/AE
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Osesp abre turnê europeia nesta quarta

Carreira internacional da orquestra vem sendo construída desde o início dos anos 2000

JOÃO LUIZ SAMPAIO - ENVIADO ESPECIAL,

15 de agosto de 2012 | 03h10

A Osesp traz dois programas à Europa. Em Londres, o grupo participa do festival Proms. Vai interpretar a Sinfonia Novo Mundo, de Dvorak; a Fanfarra para Um Homem Comum, de Copland; Estância, de Ginastera; e o Momoprecoce, de Villa-Lobos, com Nelson Freire como solista. Já em Aldeburgh e em Amsterdã, o solista será o violoncelista Antonio Meneses, que interpretará o concerto de Dvorak (a orquestra toca ainda a Abertura Concertante, de Camargo Guarnieri, e a Sinfonia n.º 4, de Tchaikovski).

"O Momoprecoce é uma peça interessante, uma sequência de miniaturas que evocam coloridos diferentes", diz Freire, vindo de uma temporada nos Estados Unidos. Já Meneses, que encontra a orquestra na Inglaterra depois de recitais na Escócia com a pianista Maria João Pires, lembra que já tocou com a Osesp e Marin Alsop o concerto de Dvorak, o que "facilita muito as coisas." Procurada pelo Estado, Alsop não respondeu ao pedido de entrevista. Já o diretor artístico Artur Nestrovski, em depoimento recente, comparou o concerto do Proms à apresentação de Tom Jobim e João Gilberto no Carnegie Hall, nos anos 1960.

O comentário não leva em conta apresentações passadas da Osesp em salas importantes - como o Musikverein, de Viena -, ou o fato de que, na verdade, a carreira internacional da orquestra vem sendo construída desde o início dos anos 2000, data do lançamento dos primeiros álbuns em parceria com o selo BIS. De 2006 até o começo deste ano, a orquestra também mantinha entre seus prestadores de serviço a empresa americana Jay Hoffmann & Associates. "O objetivo era construir a imagem da Osesp lá fora", conta Hoffmann, por telefone, de Nova York. "O grupo tinha turnês programadas, mas isso não é suficiente, você tem que levar jornalistas a São Paulo, insistir que não se trata apenas de uma orquestra, mas de um projeto mais amplo e assim por diante", explica. A Osesp está bancando cerca de 80% dos custos da viagem da turnê.

No começo deste ano, a empresa de Hoffmann foi substituída pela europeia Albion Media, que já trabalhava com Marin Alsop. Para ele, o momento lá fora é de expectativa e consolidação. "Mais do que qualquer outro, o nome de Alsop é central neste momento. Ela agrega sua presença no cenário internacional ao grupo, é um nome sólido, com o qual a orquestra tem que estreitar as relações", diz.

A presença de Alsop em São Paulo tem despertado a curiosidade da imprensa inglesa. O programa do concerto em Londres bagunça as cidades e afirma que a Osesp faz sua estreia no Proms e recebe da Grã-Bretanha o bastão, "uma vez que Brasil receberá a próxima Olimpíada". A Gramophone dedicou uma reportagem especial à orquestra em sua edição de julho. E, no fim do mês, o Financial Times publicou uma longa entrevista com Alsop, na qual ela diz que ainda é prematuro falar da Osesp como uma orquestra de nível internacional, mas afirma que vê o Brasil como "um país com fome de grandeza".

O programa dos concertos, de certa forma, ecoa essa realidade. O repertório de hoje sugere o ambiente musical das Américas, enquanto o de amanhã segue um padrão mais tradicional, com uma abertura inicial e uma peça concertante e uma sinfonia que estão entre os pilares do repertório. A ideia é mostrar uma ligação próxima tanto com a cultura latino-americana quanto com o cânone europeu.

Com um número cada vez maior de concertos em suas temporadas, a Osesp apresentou-se em São Paulo até o final da semana passada, regida pelo polonês Antoni Wit. Os músicos só encontraram Alsop e os solistas na Inglaterra, onde tiveram apenas três ensaios, que não foram abertos à imprensa, antes das duas primeiras apresentações em solo europeu.

Programação

Quarta-feira (15) 

Concerto no Royal Albert Hall (Londres). Com Nelson Freire. No programa, Dvorak, Aaron Copland, Joan Tower, Villa-Lobos, Ginastera

Quinta-feira (16) 

Concerto em Snape Maltings Concert (Hall Aldeburgh/ Inglaterra). Com Antonio Meneses. No programa, Camargo Guarnieri, Dvorak, Tchaikovsky

Sábado (18)

Concerto em Kurhaus  (Wiesbaden/ Alemanha). Com Nelson Freire. No programa, Camargo Guarnieri, Villa-Lobos, Tchaikovsky

Domingo (19)

Concerto no Concertgebouw (Amsterdã/ Holanda). Com Antonio Meneses. No programa, Guarnieri, Dvorák, Tchaikovsky

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