Osesp abre Campos do Jordão

A 43ª edição tem concertos na cidade e em SP e traz novidades na parte pedagógica

JOÃO LUIZ SAMPAIO, O Estado de S.Paulo

30 de junho de 2012 | 03h08

A Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo abre hoje à noite, no Auditório Claudio Santoro, a 43.ª edição do Festival de Inverno de Campos do Jordão. Até o dia 29, a programação terá 73 concertos, que vão ocupar diversos espaços da cidade e também a Sala São Paulo, por onde vão passar não apenas os músicos da Orquestra de Bolsistas como também os principais solistas e grupos convidados. O investimento total no evento é de R$ 6 milhões - R$ 2,5 milhões bancados pelo governo do Estado e o restante, pela iniciativa privada.

Esta é a primeira edição do evento sob os auspícios da Fundação Osesp, que substituiu no começo do ano a Santa Marcelina Cultura, responsável pelos últimos três festivais. Artur Nestrovski e Marcelo Lopes, diretores artístico e executivo da Fundação Osesp, desempenham as mesmas funções em Campos. E Marin Alsop, regente titular da Osesp, que chegou a ser apontada como diretora artística do festival, atua como conselheira artística; a direção pedagógica é de Claudio Cruz.

"Tudo foi montado em torno de três eixos principais", explicou Nestrovski durante a divulgação da programação. "O primeiro diz respeito à orquestra dos bolsistas; o segundo, aos professores que também farão concertos; e, por fim, artistas convidados, que vão apenas se apresentar, com destaque para os conjuntos sinfônicos brasileiros."

Entre os convidados, estão grupos como a Petrobrás Sinfônica, a Sinfônica Brasileira, a Sinfônica Municipal de São Paulo, a Orquestra Experimental de Repertório e a Filarmônica de Minas Gerais. A lista de solistas também tem músicos com relações antigas com Campos - o pianista Nelson Freire, o violoncelista Antonio Meneses, o violonista Fábio Zanon, os maestros Isaac Karabtchevsky, Roberto Minczuk, Fabio Mechetti e Jamil Maluf, por exemplo - e outros que sobem a serra pela primeira vez - o pianista Nelson Goerner, a violinista Sarah Chang, o barítono Nathan Gunn, o violoncelista Johannes Moser, o flautista Jacques Zoon e o trompetista Ole Edward Antonsen.

Eles se juntam aos professores de orquestras brasileiras, em especial da própria Osesp, e de instituições como a Royal Academy, de Londres, o Peabody Institute, de Baltimore, e dos conservatórios de Amsterdã, Haia e Cincinnati, em convênios que substituem as parcerias firmadas em anos anteriores com a Julliard School, de Nova York, e o Conservatório de Paris.

Na noite de hoje, a Osesp, sob regência do maestro Thomas Dausgaard, interpreta a Missa Solene de Beethoven, já apresentada na quinta e ontem na Sala São Paulo (leia abaixo crítica de João Marcos Coelho). A orquestra terá participação maior do que a dos últimos anos no festival, fazendo três concertos diferentes na programação. Além disso, os três maestros estrangeiros que atuam no evento - Sir Richard Armstrong, Giancarlo Guerrero e Carlos Kalmar - também participam da temporada da orquestra. "Até por uma questão de tempo, acabamos nos valendo de quem já estaria aqui por conta da temporada da Osesp", explicou Nestrovski.

A grande novidade deste festival, no entanto, diz respeito à parte pedagógica. Alguns cursos, como o de composição e de canto, foram extintos ou substituídos por masterclasses de autores que terão obras interpretadas na programação, como João Guilherme Ripper, Enrico Chapella e André Mehmari. E os alunos - 115 no total - terão como foco principal de suas atividades os concertos da Orquestra de Bolsistas.

Ao contrário de anos anteriores, eles não se dedicarão a apenas um programa mas, sim, a três. Sob o comando de Sir Armstrong, eles vão interpretar obras de Wagner (Abertura de O Holandês Voador), Mahler (Ruckert Lieder, com solos da soprano Susane Berhnard, que também participa da Missa Solene) e Dvorak (Sinfonia n.º 6); com Giancarlo Guerrero, tocam Chapela (Ínguesu), Bernstein (Danças Sinfônicas de West Side Story) e Dvorak (Concerto para Violoncelo e Orquestra, como solos de Johannes Moser).

Por fim, com regência de Marin Alsop (que também dará oficinas de regência), terão pela frente peças de Mozart (Concerto para Piano n.º 20, com solos de Nelson Freire), Camargo Guarnieri (Abertura Festiva) e Béla Bartók (O Mandarim Maravilhoso). Todos esses concertos serão apresentados também em São Paulo.

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