Os versos do anfitrião

A Casa Guilherme de Almeida, instalada na antiga residência do poeta, no Pacaembu, reabre neste fim de semana. Antes de visitá-la, conheça os feitos (e os versos) do autor modernista

Marina Vaz, de O Estado de S. Paulo ,

10 Dezembro 2010 | 01h00

Depois de quatro anos de reforma e restauro de seu acervo, a Casa Guilherme de Almeida, antiga residência do escritor, tradutor e poeta brasileiro, é reaberta neste sábado (11), às 11h30. Antes de correr para visitar o museu, criado em 1979, conheça a vida e a obra do 'dono da casa'.

 

Guilherme de Almeida (1890-1969) foi um dos principais articuladores da Semana de Arte Moderna de 1922 e editor da revista Klaxon, publicação ícone do movimento. Ele também foi o responsável pela concepção gráfica da capa, em que uma grande letra 'A' perpassa todas as palavras da expressão 'Mensário de Arte Moderna São Paulo'.

Na primeira edição da revista, um anúncio da marca de chocolates Lacta, também desenvolvido por ele, dizia repetidamente, de forma simples e direta: "Coma Lacta". As palavras formavam círculos circunscritos. "Era algo muito avançado para época; ele foi um dos precursores da propaganda moderna", diz Marcelo Tápia, diretor da Casa Guilherme de Almeida.

Também é dele o texto gravado, como legenda, no Obelisco Mausoléu aos Heróis de 32, o famoso Obelisco do Ibirapuera. O 'Hino dos Bandeirantes', letra oficial do Estado de São Paulo desde 1974, também é assinado por Almeida.

 

Conheça abaixo alguns trechos da obra de Guilherme de Almeida:

 

"Íngreme, estreita, escura e curva é a escada que sobe para minha mansarda. Capaz de desanimar os velhos fôlegos cardíacos, nunca, entretanto, intimidou meu já muito vivido coração. Pelo contrário: leva-me leve, alado como os anjos da escada de Jacó. Jamais me arrependi de tê-la subido. Sempre me arrependi de tê-la descido. Porque é mesmo uma ascensão ir pelos seus degraus acima: um desprendimento do rasteiro, numa ânsia de quietude, isolamento e sonho, para o pleno ingresso nos meus Paraísos Interiores."

(Trecho da crônica 'A Escada da Minha Mansarda', de 1928)

 

***

"A rua mastiga

os homens: mandíbulas

de asfalto, argamassa,

cimento, pedra e aço."

(Trecho de poema do livro 'Rua', de 1961)

 

***

 

"O chocalho dos sapos coaxa

como um caracaxá rachado. Tudo mexe.

Um vento frouxo enlaça uma nuvem baixa

fofa. E desce com ela, desce.

E não a deixa e puxa-a como uma faixa

e espicha-a e enrolam-se. E o feixe rola

e rebola como uma bola

na luz roxa

da tarde oca

boba

chocha."

(Poema 'Maxixe', do livro 'Meu', de 1925)

 

SERVIÇO

Casa Guilherme de Almeida.

R. Macapá, 187, Pacaembu, 3673-1883.

10h/17h (3ª e 5ª, só com agendamento prévio; fecha 2ª). Abre sáb. (11), 11h30.

Todas as visitas são orientadas e feitas em grupos de até quatro pessoas, com duração média de 30 min. Grátis

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