Os últimos românticos

Sem medo da concorrência ou do cenário, novas editoras se lançam no mercado

MARIA FERNANDA RODRIGUES, O Estado de S.Paulo

08 de junho de 2013 | 02h08

São pelo menos 750 as editoras brasileiras, segundo o último censo da Câmara Brasileira do Livro. Mas uma rápida passada de olhos nas listas de mais vendidos mostra que o sucesso comercial, pelo menos quando considerado o desempenho nas livrarias, é para poucos; no máximo dez casas se revezam no ranking.

Outro dado revelador do atual cenário nacional: as editoras estão produzindo mais e imprimindo mais, portanto, inundando as lojas com lançamentos. Só em 2011, elas publicaram 20.405 livros em primeira edição (em 2010, foram 18.712) e fizeram 37.787 reedições. Mas o faturamento não acompanha o aumento da produtividade. De acordo com a Pesquisa Produção e Venda, da Fipe, entre 2010 e 2011 (os dados de 2012 ainda não foram apresentados), ele cresceu só 0,81%. Se descontadas dessa conta as compras do governo, que sustentam algumas casas, o mercado registrou queda de 3,27%.

A produção é alta e a venda nem tanto. O baixo índice de quatro livros lidos por ano (contando a leitura escolar) pelo brasileiro é um dos fatores. Mas tem gente que não se assusta com nada disso e acalenta o sonho da editora própria - seja porque já trabalhou em uma e quer ser seu próprio patrão, seja porque viver entre livros tem sua aura romântica.

Francisco Pereira é prático no Porto de Vitória. Gabriela Erbetta, jornalista. Aloma Carvalho, pedagoga. Christiano Menezes é um dos sócios da Retina 78, empresa que presta serviço de produção de livros para editoras. André Caramuru Aubert também foi proprietário de uma empresa como a de Christiano, a Estúdio Peroba, entre os anos 1980 e 1990, mas mudou para a área de tecnologia. Leda Rita Cintra é agente literária. José Carlos de Souza Júnior está há 15 anos no mercado editorial e já passou pelas áreas comercial, editorial e de marketing.

Com mais ou menos experiência no mundo dos livros, eles são os protagonistas de um novo momento do mercado editorial. Cada um a seu modo, eles criaram coragem e estão inaugurando editoras. A fórmula do sucesso de um não vale para o outro, e assim, com uma identidade própria, apostando em livros de terror ou de autoajuda, nos digitais ou nos impressos, eles não esperam fazer frente à concorrência dos grandes grupos, chegar às listas de best-sellers ou ficar ricos, mas, sim, publicar o que ninguém está publicando. E viver disso.

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