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Os sons que enriquecem a cultura de São Paulo

Árabes, italianos, russos, japoneses, germânicos, húngaros, andinos, judeus, espanhóis, poloneses, portugueses, coreanos e africanos. Esses são os 13 principais grupos de imigrantes que construíram, ao longo do tempo, a diversificação e riqueza da cultura de São Paulo. E constituem tema de um original e consistente projeto musical que ocorre aos sábados no auditório da novíssima Biblioteca Mário de Andrade. Iniciou-se em 29 de janeiro, combinando mesa-redonda e show enfocando criações autenticamente árabes e outras transculturais, resultantes da mistura com a realidade paulistana, ela mesma feita do encontro múltiplo de dezenas de outras etnias. E segue até 7 de maio, quando a imigração africana será o tema final.

João Marcos Coelho, O Estado de S.Paulo

18 de fevereiro de 2011 | 00h00

Ninguém coloca de pé um projeto desses da noite para o dia. Ana Maria Kieffer, curadora do ciclo São Paulo, Seus Povos e Suas Músicas, não é só uma cantora; inclui em seu trabalho pesquisa sobre o passado e o presente da música brasileira em todas as suas faces. E desde 2004, quando lançou o álbum duplo e livro Cancioneiro da Imigração (selo Akron), retratando a prática musical entre as comunidades de imigrantes da cidade, detectou 520 músicos do que chama de "três populações formadoras e 12 comunidades de imigrantes". Por isso, acerta em cheio neste belo projeto que mostra "não só a música tradicional de cada etnia como também seu processo histórico de integração com as demais comunidades de imigrantes e com a cidade". Projetos como este cumprem, além do aspecto musical, função básica para a reluzente Mário de Andrade: atrair novos públicos, gerar tráfego e resgatar sua vocação como polo expressivo da cultura e das artes.

Hoje, a série traz uma das mais originais "transculturações" do século 20: a dos imigrantes japoneses. Uma história que começou nos anos 50, quando o compositor, ceramista e instrumentista Tsuna Iwami trouxe para cá a prática musical japonesa e, aos poucos, num belo processo de aculturação, passou a combinar instrumentos tradicionais, como kotô e a flauta shakuhachi, com os ocidentais violão e violoncelo. Iwami fundou em 1989 em São Paulo a Associação Brasileira de Música Clássica Japonesa. No repertório, música clássica japonesa da Idade Média à contemporânea. Antes, haverá debate sobre o tema com Jo Takahashi e Madalena Natsuko Hashimoto Cordaro.

SÃO PAULO, SEUS POVOS E SUAS MÚSICAS. Auditório da Biblioteca Mário de Andrade, R. da Consolação, 94. Sáb., 16 h.

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