Os signos identificáveis de Alex Vallauri

A pop art americana reinventada nos trópicos. Com essas palavras, o curador João J. Spinelli indica um caminho da produção de Alex Vallauri (1949-1987). Grafiteiro e artista plástico, na década de 80 ele gravou pela cidade de São Paulo figuras como botas femininas, cartolas, criou uma personagem, a Rainha do Frango Assado, que até culminou em uma instalação de destaque na 18.ª Bienal de Arte de São Paulo, em 1985. Mas vale dizer que Vallauri gravou nos muros e não somente grafitou uma série de ícones carregados de humor, ironia, vivacidade, como bem defende Spinelli, curador da mostra Matrizes/Pinturas, que será inaugurada hoje à noite na galeria do Hotel Lycra e que reúne obras de Alex Vallauri, acrílicas sobre cartão, todas elas realizadas nos anos 80 e pertencentes à coleção da mãe do artista, Léa Vallauri. Desenho, pintura, gravura, os gêneros eram dominados pelo artista plástico nascido na Etiópia, mas que se naturalizou brasileiro (chegou aqui em 1965, e em Santos, primeira cidade brasileira onde viveu, estudou xilogravura). Vallauri queria transformar a cidade em arte viva, ele mesmo dizia, e a partir dessa intenção influenciou uma série de grafiteiros. Pião, relógio, bicicleta, frango assado, fruteira, trompete. Lá estão nas obras presentes na exposição os ícones do cotidiano representados em "formas, cores e imagens inovadoras" para a época do artista.Alex Vallauri - Diariamente, das 10 à 1 horas. Galeria do Hotel Lycra. Rua Oscar Freire, 1.055, tel: 3897-4400. Até 31/3. Abertura hoje, às 20 horas, para convidados.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.