Os residentes vai ao fórum

Ao penetrar nos meandros do festival, você descobre que o Fórum, anos atrás, tentou se separar da Berlinale e terminou virando uma espécie de dissidência. Um festival dentro do festival. O mineiro Tiago Mata Machado veio exibir Os Residentes no Fórum, a prestigiosa mostra de cinema experimental do Festival de Berlim. A fama de "godardiano", que tanta desagrada ao autor, o precedeu. Jornalistas de várias latitudes perguntavam ao repórter do Estado pelo "Godard brasileiro".

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

18 de fevereiro de 2011 | 00h00

Desde Brasília, no ano passado - festival no qual levou quatro prêmios e enfrentou grande polêmica -, o fato de Mata Machado ser autor de uma tese sobre Jean-Luc-Godard Polifônico, Genealogias do Cinema Moderno -, colou nele a etiqueta.

O seu filme discute a vanguarda como as utopias. Radicaliza as pesquisas de linguagem, entendendo-se, por essas, também a cor e o som. "É muito impuro. É uma viagem ao desconhecido, como toda a arte que se leva a sério", afirma ele.

Havia um bom público na sessão oficial de Os Residentes, que também foi o grande vencedor da14.ª Mostra de Cinema de Tiradentes, em janeiro. Ninguém saiu da sala durante a projeção (talvez um ou dois espectadores). Em compensação, houve uma debandada na hora do debate. Tiago Mata Machado não acredita que devesse ter defendido melhor o seu trabalho. Em vez de esclarecer, ele confundiu, ampliando conceitos.

Festivais são estranhas ocorrências. A sala estava abarrotada na coletiva de O Discurso do Rei. Vieram o diretor Tom Hooper, a atriz Helena Bonham Carter e, naturalmente, o virtual vencedor do Oscar, Colin Firth.

O filme foi aplaudido pela imprensa colonizada como se fosse a obra-prima do festival. A rigor, não deu para aproveitar muita coisa do que foi dito. Colin Firth sente-se mais próximo da realeza, que agora entende melhor, como indivíduos, esses reis e rainhas. O risco com Colin é que, na série Legalmente Loira, ele já era muito british, para fazer humor. Como rei, é british a sério, em tempo integral.

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