Os primórdios da pornochanchada

No domingo, a sessão ao ar livre, com acompanhamento musical ao vivo, da versão restaurada de Metrópolis, de Fritz Lang, levou certa de 12 mil pessoas ao Ibirapuera. É possível que somente 1% disso prestigie hoje a exibição de outro filme restaurado na 34ª Mostra. É bom que a plateia de Ainda Agarro Esta Vizinha seja calorosa, para compensar.

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

27 de outubro de 2010 | 00h00

Pedro Rovai realizou seu longa em 1974, com argumento de Marcos Rey e roteiro de Oduvaldo Vianna Filho e Armando Costa. O filme virou o carro chefe de uma tendência vitoriosa da época - a pornochanchada. Pouco antes, e também com Adriana Prieto, Rovai fizera A Viúva Virgem.

Para o espectador que for ver hoje a Vizinha pela primeira vez no cinema, é bom lembrar que, ao longo dos anos 1960, o Cinema Novo foi muitas vezes acusado de colocar o povo na tela e de retirá-lo da plateia. Era o preço por fazer obras inovadoras. Na segunda metade da década, sugiram comédias de costumes que faturaram bastante. O próprio Macunaíma, de Joaquim Pedro, arrebentou nas bilheterias.

As comédias ficaram cada vez mais picantes. Na vertente da Vizinha, Dona Flor e Seus Dois Maridos, de Bruno Barreto, fez ainda mais sucesso. Foi uma época de namoro com o público, mas a crítica chiava. Se a censura do regime militar liberava os filmes, é porque não eram transgressores de verdade. Adriana, que morreu jovem no mesmo ano do filme, em 1974, é a jovem interiorana que vem morar com a tia. A parente, no fundo, planeja prostituí-la. Todo mundo deseja a "vizinha". O edifício em Copacabana - na verdade, o filme foi feito em estúdio, na Cinédia - vira a cara do Brasil.

AINDA AGARRO ESTA VIZINHA

Cinemateca - Sala

Petrobras - Hoje, 17h.

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