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Os primeiros de tudo, os Croods

Codiretores Chris Sanders e Kirk DiMicco falam da animação que sintetiza em uma hora e meia mudanças na Idade da Pedra e inovações futuristas

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

25 de março de 2013 | 02h08

Pode um filme mudar de conceito no meio do caminho? Chris Sanders e Kirk DiMicco que o digam. São os codiretores de Os Croods, animação que estreou na sexta-feira e, a esta altura, já arrastou uma multidão para os cinemas. Os Croods tem ação, humor, romance, tudo isso embalado no formato de uma aventura familiar e com o recurso do 3-D para tornar a animação mais excitante. Pois se trata de uma animação, e a muitos espectadores fará lembrar o velho Os Flintstones, de Hanna-Barbera, em nova embalagem. Não, Os Croods não tem nada a ver com Os Flintstones, exceto o fato de se passar na Idade da Pedra, mas isso também poderia aproximar o filme de Sanders e DiMicco de A Era do Gelo. A diferença é que a animação de Carlos Saldanha é estrelada por animais e Os Croods conta a história de uma família de humanos.

Mas se o filme mudou, o que mudou? "No início, queríamos contar a história de um homem maduro, da Idade da Pedra, que encontra um garoto. O garoto seria o porta-voz das mudanças, e o que queríamos era concentrar, no espaço de um filme, as mudanças que fizeram a própria história avançar", explica Sanders. O repórter lembra Stanley Kubrick, 2001 - Uma Odisseia no Espaço, e o corte que faz a narrativa avançar milhões de anos - quando o macaco descobre a utilização do osso como ferramenta, o levanta em triunfo e Kubrick corta para a nave que avança no espaço.

"Exatamente", diz o codiretor DiMicco, "mas o nosso avanço não era tão formidável, era mais lento. À medida que esboçávamos nossa história, o garoto trazia o fogo, o calçado, o primeiro celular - bem, era uma concha, mas o princípio de comunicação à distância era o mesmo. Tudo isso problematizava o homem mais velho, que foi ficando um personagem meio sem graça, atropelado pelo jovem. Resolvemos então criar uma situação familiar para o homem mais velho. Ele tinha agora uma família para proteger, uma família rebelde. O eixo se transferiu do garoto para a filha, que se sente atraída pelas novidades com que o garoto lhe acena. O próprio pai, sentindo-se superado, chega a um momento em que incorpora o novo à sua forma, e prova seu valor."

Tudo isso, que a dupla de diretores conta na entrevista realizada no Festival de Berlim - em que Os Croods passou fora de concurso -, tomou tempo. Anos de preparativos e de realização, e um pouco das pausas também foram decorrência da escolha de Nicolas Cage para o papel do pai. "Achamos que ele tinha autoridade para fazer o papel, e Nic se entusiasmou tanto que emprestou mais que a voz e o físico para o personagem. Colocou muito de seu temperamento, criando um personagem forte como se fosse live action", diz Sanders. "O problema é que, com as sucessivas mudanças, volta e meia precisávamos chamá-lo para regravar isso ou aquilo, ou para que nossos desenhistas o modelassem em novas cenas. E Nic não para. Deve ter feito umas quatro ou cinco live actions enquanto tentávamos montar nossa animação."

O resultado compensa, e a família de Os Croods é divertida, com as vozes - se você for ver no original - de Nicolas Cage, Emma Stone (a filha), Ryan Reynolds (o jovem). Embora se trate de uma fantasia - e animada -, Cage diz que o que o atraiu foi a base realista do relato. "O que eu realmente gosto no meu relacionamento com Emma, no filme, é que é o tipo da relação familiar comum, entre um pai superprotetor e a filha que adolescente que quer ter aventuras." Na verdade, os diretores definem Os Croods como 'a primeira família moderna'. É como se fosse uma família de mentalidade moderna vivendo na pré-história, havia definido Nicolas Cage na entrevista que deu ao Estado.

Sanders e Di Micco radicalizam e dizem que o filme propõe o primeiro de tudo - "Os Croods criam o primeiro par de óculos escuros, feitos de pedra, têm o primeiro animal de estimação e tiram a primeira fotografia, amassando uma pedra de carvão na cara dos membros da família." Essa série inesgotável de invenções teve de ter um fim para que a produção cumprisse o cronograma - caso contrário, Sanders e DiMicco afirmam que seriam capazes de estar inventando novidades até agora. "O processo foi muito divertido, mas também trabalhoso. Cada nova ideia implicava em desafios técnicos, que tínhamos de enfrentar - e superar."

O 3-D aumenta a dificuldade? "Nem tanto. Trata-se, afinal, de uma questão de lentes e dispositivos de captação da imagem para um fundo maior, mas cada vez que queríamos ampliar esse fundo nossos desenhistas tinham de detalhar as coisas, e isso exigia pesquisa, preparação, acabamento", diz Sanders. Seu currículo impressiona - foi desenhista de produção em O Rei Leão, codirigiu Lilo & Stitch e Como Treinar Seu Dragão. "Adoro trabalhar em grupo. Na animação, há tanta coisa para administrar e criar. Em dois não fica apenas mais fácil. Quando há afinidade, e tem havido, em todos esses filmes, o estímulo é muito maior. O 'brain storm' é permanente."

OS CROODS

Título original: The Croods

Direção: Chris Sanders, Gênero: Animação (EUA/2013, 98 min.). Classificação: livre.

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