Os paralamas e a arte de viver da fé

Quando pensamos na cronologia do rock brasileiro, parece obvio que a alguma altura do campeonato alguém colocaria a África na equação. Não fosse assim, teríamos ignorado a força cultural mais forte do País e ainda estaríamos presos à imitação barata de modelos estrangeiros.

Roberto Nascimento, O Estado de S.Paulo

19 de fevereiro de 2011 | 00h00

Curiosamente, a sacada veio de um grupo de branquelos que morava no Rio. O ano era 1986 e Herbert Vianna, João Barone e Bi Ribeiro já haviam alcançado algum sucesso com o Paralamas do Sucesso. Foi quando, por influência da cena punk londrina, entraram em contato com o dub jamaicano e o high-life da Nigéria. Também haviam descoberto a guitarrada paraense e resolveram gravar um disco que juntasse todas as influências. Chamaram Gil, que chamou Liminha, que levou a banda ao estúdio. Logo, uma revolução estava a caminho. O resultado era Selvagem?, disco que será relançado amanhã pela Discoteca Estadão, por R$ 14,90. O carro chefe é o hit Alagados, mas o diálogo África-Brasil, que permeia os arranjos, as levadas e o discurso político vão muito além: dão a cara original de uma obra prima que influenciou tudo e todos, de Chico Science, a Skank, a Lucas Santtana.

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