Daniela Ramiro/Estadão
Daniela Ramiro/Estadão

Os oito pilares da gestão de Alê Youssef para a Cultura

Novo secretário municipal elaborou os movimentos que vão agitar São Paulo e conectar todos os aparelhos culturais espalhados pela cidade

Ubiratan Brasil, O Estado de S. Paulo

01 de fevereiro de 2019 | 19h36

Alê Youssef tem pressa. Logo que foi nomeado pelo prefeito Bruno Covas como novo secretário municipal de Cultura, no dia 15 de janeiro, ele percebeu que tem muito trabalho pela frente e pouco tempo – em 2020, acontece eleição para a Prefeitura. “Eu me senti honrado com o convite e, depois de tomar conhecimento sobre os assuntos da secretaria, estipulei oito movimentos que deverão marcar essa gestão”, disse Youssef ao Estado, na tarde de ontem.

São movimentos que, em linha geral, pretendem manter em conexão todos os aparelhos culturais espalhados pela cidade, de teatros a bibliotecas, de centro cultural a arte na rua. A um leigo, até soaria como uma obviedade, mas, na prática, o que se vê é ainda um punhado de locais com uso abaixo da expectativa. “Busco uma intersecção em todos esses pontos”, conta o secretário que vê a Virada Cultural como primeiro grande evento para testar seu plano.

Um dos movimentos que mais atraem atenção para a cidade, a Virada passará agora a sempre acontecer no último fim de semana de maio – neste ano, portanto, será nos dias 25 e 26. Isso já se configura como a definição do primeiro dos oito movimentos previstos pelo secretário: a unificação do calendário cultural público e privado da cidade. “Um dos pontos principais será a integração – para isso, já converso com diretores de grandes centros culturais, como Japan House, IMS, Itaú Cultural, para, por exemplo, usarmos o corredor da Avenida Paulista na Virada”, explica Youssef, que logicamente não se esqueceu da rede Sesc. “Pretendo até fazer uma visita especial ao Danilo Santos de Miranda (diretor regional do Sesc-SP), que é um exemplo em gestão cultural neste país.”

A integração prevê ainda a participação, na Virada, de aparelhos culturais geridos pelo governo estadual – como o Memorial da América Latina. Para isso, Alê Youssef vem estreitando relações com Sérgio Sá Leitão, secretário de Estado da Cultura. Essa abertura de caminho serve como motivo para apresentar o segundo movimento de sua gestão: incentivo e fomento a produções culturais. Aqui, o alvo principal é desburocratizar e divulgar o Promac-SP, o Programa Municipal de Apoio a Projetos Culturais, uma espécie de Lei Rouanet do município, que propõe tornar mais claras as regras de apresentação, análise e seleção de propostas da área.

Nessa linha também, outro desafio que Youssef promete enfrentar diz respeito a um assunto muito caro à classe teatral: repactuar e analisar editais da Lei de Fomento, suspensa desde agosto do ano passado depois de uma modificação nas regras determinada pelo então secretário municipal, André Sturm. “Tenho já marcada, para o dia 7 de fevereiro, uma reunião com a classe teatral para tratarmos disso”, explica Youssef, que também já escolheu um profissional para cuidar das artes cênicas na secretaria: o ator e diretor Pedro Granato, reconhecido pelo talento e competência.

Granato vai se juntar a nomes já revelados, como o da jornalista Erika Palomino para a direção do Centro Cultural São Paulo, e do rapper Xis como novo assessor de hip-hop. “São profissionais antenados com a modernidade e antenados com as expressões espontâneas que nascem na cidade.” Falta definir ainda o novo diretor da Biblioteca Mário de Andrade, considerada por Youssef como o farol de outro de seus oito movimentos: o da difusão literária.

Para isso, ele pretende mudar a coordenação das bibliotecas municipais, além de aprimorar a tecnologia de saraus. “Esses eventos nasceram espontaneamente em áreas desprovidas de bibliotecas, portanto, nada mais natural que unir o conhecimento de um com o acervo da outra”, explica.

Alê Youssef pretende ainda dar o pontapé inicial da comemoração do centenário da Semana de Arte Moderna, que acontece em 2022. Assim, vai ser montada uma comissão especial, além da implantação de uma curadoria responsável pela ocupação multicultural do Teatro Municipal, onde aconteceu o evento. “Ali, promoveremos um cruzamento das artes, como foi em 1922.”

 

​OS 8 MOVIMENTOS

Calendário Unificado

A ideia é integrar e melhorar a comunicação dos eventos culturais públicos e privados de SP

 

Incentivo e Fomento

Além de desburocratizar o Promac-SP, repactuar e analisar editais de fomento

 

Difusão Literária

Mudança na coordenação das bibliotecas, fomento dos espaços comunitários e aproximação de saraus e coletivos com bibliotecas

 

Ocupação Artística

Ter presença nas comissões de marcos urbanos como Triângulo, e Parques Augusta e Minhocão

 

Arte Urbana

Ampliação dos editais do Museu de Arte de Rua, além de incentivo a ações como grafite, poesia concreta, foto e lambe-lambe

 

Pertencimento

Aproximar espaços dos grupos, coletivos e cenas locais

 

Memória Paulistana

Mapeamento de fatos históricos da cultura da cidade

 

Semana de 22

Ocupação do Teatro Municipal e derrubada do muro que separa a Praça das Artes do Anhangabaú

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