"Os Normais" vira filme, livro e DVD

O normal aconteceu. Depois de conquistar bons índices de Ibope e comentários elogiosos de toda a crítica, Os Normais virou DVD - que já está na segunda tiragem. E também livro. E filme. O sucesso do DVD - uma compilação dos melhores episódios de Rui e Vani lançada em dezembro do ano passado -, surpreendeu a direção da Globo: foram vendidas 10 mil cópias em um mês. Mas para os roteiristas Alexandre Machado e Fernanda Young não parece estranho que as pessoas queiram rever as estripulias do casal. "Esse é o tipo de programa que não cansa ver várias vezes, porque ele tem um humor rápido, humano e é cheio de piadinhas. Da segunda vez que você assiste, percebe uma sacada que não tinha visto na primeira", diz Machado. "O que me surpreendeu foi ver que o programa não faz sucesso só entre o público intelectual, mas entre todos os públicos." Assim como o DVD, o livro Os Melhores Momentos de Os Normais - que está em fase de revisão na editora Objetiva - também não trará histórias inéditas. Será editado em forma de pequenas crônicas criadas a partir das melhores cenas e dos melhores diálogos da série. Deve chegar às livarias no final de março, quando novos episódios da série já estarão no ar, nas noites de sexta-feira. Já Os Normais - O Filme - que está com o roteiro pronto mas ainda não tem previsão para chegar aos cinemas - voltará no tempo para mostrar como Rui e Vani se conheceram. "O filme não poderia ser um programa no cinema", diz Machado. "Mas também não poderíamos fugir do formato que usamos na tevê." O que ele quer dizer é que o roteiro foi escrito em torno de uma só situação, assim como ocorre na tevê. Trata-se de um retrato da noite em que tudo começou: o primeiro encontro do casal. A idéia de usar casais normais-esquisitos na tevê não é nova e quase sempre dá certo - como é o caso, por exemplo, do casal Unibanco. Por isso, Alexandre Machado mostra também preocupação em manter o sucesso que conquistou com Os Normais. "Falar em sucesso na tevê é algo complicado, porque é um trabalho de conquista diário." Como esse trabalho diário fez da série um megaproduto? Para Machado, a resposta está na ideologia. "O principal, a meu ver, é o programa ter uma ideologia. Por mais que pareça engraçado falar dela na tevê, a ideologia é necessária. Principalmente para se fazer algo pop. É muito fácil um programa pop ficar ruim, mas ele pode ter qualidade" explica. A ideologia que ele e Fernanda seguiram desde o início, segundo contam, foi a de respeitar a inteligência das pessoas sem apenas seguir modismos. "Existe uma relação afetiva entre o telespectador e o programa e isso foi criado graças ao respeito à sua inteligência." E para levar em consideração essa inteligência mesmo falando sobre um tema que não é original, eles têm outra teoria: "Sempre defendemos a idéia de fazer um programa de humor que visse a esquisitice de cada um como uma coisa legal. Achávamos que faltava um humor para cima. É legal ser esquisito. Todos somos. As maluquices do dia a dia são normais, por mais malucas que sejam." Depois do carnaval o seriado volta a ser exibido, os novos episódios já começaram a ser escritos. Mas os telespectadores não devem esperar por grandes mudanças. Depois de "testar", como eles dizem, alguns formatos durante esse tempo, eles agora vão usar os que mais funcionaram, como os flash backs e os convidados. "Percebemos que se nos concentrarmos em pequenos fatos do dia a dia pode ser mais interessante do que contar uma história com seqüência", diz Machado. "Mas é claro que algumas mudanças vão acontecer. Os personagens amadureceram e já criaram uma relação afetiva com o público."

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