Capítulo 06

Os melhores e os piores apresentadores do Oscar

Bob Hope é o recordista, com 19 participações, enquanto Anne Hathaway e James Franco não deveriam ter saído de casa

Ubiratan Brasil, O Estado de S.Paulo

14 de fevereiro de 2019 | 11h55

Caro leitor,

Nossa jornada se aproxima do grande dia, o da cerimônia da 91ª festa do Oscar na noite do dia 24. Mesmo com muitos prêmios aparentemente decididos, fica aquele gosto bom da dúvida, que antecipa surpresas. Acredito que praticamente certas são as vitórias de Glenn Close e Rami Malek nas categorias principais, assim como Alfonso Cuarón na direção e Roma como melhor filme estrangeiro. Veremos.

O que ainda é uma incógnita é como será a festa sem um mestre de cerimônias. Desde que a Academia decidiu não ter um condutor, foram divulgados diversos nomes de artistas que vão entregar prêmios específicos - nenhum, porém, que apareça em todos os segmentos, conduzindo mesmo a cerimônia.

Mas, tenho aqui uma leve desconfiança de que poderemos ter uma surpresa, ou seja, sem que seja previamente anunciado, alguém aparecerá no palco para conduzir o barco. Seria uma bela sacada, não? Veremos também.

Enquanto isso, vale a pena lembrar alguns dos apresentadores, que deixaram sua marca seja pela inteligência, seja pela ineficiência. Artistas que brilharam em situações inesperadas e outros que, embora mestres em sua função, foram verdadeiros desastres.

O comediante Bob Hope foi o mais atuante, comandando a cerimônia 19 vezes, entre 1940 e 1978. Eu me lembro dessa última festa e da forma como Hope conduzia - seguro, sempre com expressão aparentemente séria, mas capaz de disparar frases como "na noite do Oscar, deixamos de lado pequenas divergências, esquecemos velhas disputas e começamos novas". 

Hope era ferino e dizia com a cara mais lavada críticas como essa, de 1968: "Nunca vi seis horas de trabalho passarem tão rápido".

Mas devo confessar minha predileção por Johnny Carson, que comandou a cerimônia por cinco vezes. Durante quase três décadas, ele esteve à frente do The Tonight Show, programa no qual consagrou seu charme descontraído. Eu o adorava pois também tinha uma cara-de-pau como Hope para dizer verdadeiras barbaridades, mas o bom é que Carson sempre ria da própria piada. 

Em 1980, ao notar a quantidade de filmes sobre casamentos fracassados (Kramer vs. Kramer, Manhattan), ele disse que deveria ser um sinal o fato do único filme a mostrar um relacionamento duradouro era Gaiola das Loucas, que mostrava um casal gay em longo casamento.

Como Hope, Carson sabia ser ferino - no início de uma cerimônia, ao vislumbrar a plateia, ele disse ter ficado espantado ao ver tantas caras novas, especialmente em rostos velhos, tirando sarro da onda de cirurgias plásticas.

Difícil não se lembrar também de Billy Crystal, que comandou o show por nove vezes. Revelou-se um humorista nato ao se sair bem de uma pequena enrascada: em 1992, quando o centenário produtor Hal Roach discursava e o som de repente se tornou inaudível, Crystal disparou: "Esse problema é apropriado, afinal, o senhor Roach começou na era do cinema mudo".

 

Tivemos ainda a maravilhosa Whoopi Goldberg como a primeira mulher afro-americana a comandar um Oscar, em 1994 - é dela a famosa frase, dita em 2002, de que o Oscar é o único homem de 74 anos em Hollywood que não precisa de Viagra para ficar ligado durante 3 horas. Ou mesmo Ellen DeGeneres fazendo, em 2014, a famosa selfie com Bradley Cooper, Meryl Streep e até Kevin Spacey antes de cair em desgraça.

Não vamos terminar antes de lembrar duas terríveis apresentações do Oscar. A primeira a de David Letterman, em 1994. Ele levou de Nova York para Los Angeles sua equipe de roteiristas, mas seu humor seco foi confundido com grosseria. Também fez um trocadilho sem graça com os nomes de Oprah Winfrey, Uma Thurman, até hoje incompreensível. E ainda tentou criar um clima no casal chique Susan Sarandon e Tim Robbins.

Inesquecível também foi o terrível comando de Anne Hathaway e James Franco, em 2011. Então queridinhos de Hollywood, revelaram não ter química nenhuma entre eles, além de uma completa incapacidade de ler as piadas sem parecer que estavam lendo. Franco só dizia coisas esquisitas e Anne, ciente do desastre, cumpriu seu papel até o fim, tentando manter um mínimo de galhardia.

Para terminar, vale lembrar que a primeira cerimônia do Oscar aconteceu em 16 de maio de 1929. Durou apenas 15 minutos e foi vista apenas por 270 pessoas, no Hotel Hollywood Roosevelt. Cada uma pagou US$ 5 pelo ingresso e as estatuetas foram entregues pelo então presidente da Academia, o ator Douglas Fairbanks, tornando-se o primeiro anfitrião


 

Ubiratan Brasil

Ubiratan Brasil

Editor de Cultura

Jornalista desde 1985, cobriu grandes eventos esportivos (Copa do Mundo, Olimpíada) e culturais (Oscar, Feira do Livro de Frankfurt). Assim, não troca um pelo outro.

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