Os Kennedys pressionam contra novo longa de Fernando Meirelles

Diretor prepara versão de 'Nemesis', que relata como Aristóteles Onassis teria financiado morte de Bobby, o caçula do clã

AMILTON PINHEIRO, ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

29 de julho de 2013 | 02h15

O novo filme do diretor Fernando Meirelles, Nemesis, não contará mais com distribuição nem com atores americanos devido a uma forte campanha dos Kennedys contra o projeto nos Estados Unidos. "O roteiro (de Bráulio Mantovani, de 'Cidade de Deus') é ótimo, mas um tanto crítico aos Kennedys, do ponto de vista pessoal. Por isso, vem enfrentando tal resistência", disse o cineasta.

O longa será baseado no livro Nemesis: The True Story of Aristotle Onassis, Jackie O, and the Love Triangle That Brought Down the Kennedys (A Verdadeira História de Aristóteles Onassis, Jackie O. e o Triângulo Amoroso Que Derrubou os Kennedys, em tradução livre), de Peter Evans, ainda sem tradução no Brasil. Segundo Meirelles, a obra sofreu também resistência dos livreiros americanos, que não queriam colocá-lo à venda. "É um livro excelente, mas os Kennedys têm um lobby forte, ainda hoje", disse ele, em entrevista à edição de agosto da revista Negócios da Comunicação.

Evans relata a inimizade entre o milionário grego Onassis (1906-1975) e o mais novo dos Kennedy, Bobby (1925-1968), um desconforto surgido logo que se conheceram. Ao longo de décadas, o ódio mútuo e intenso só cresceu, assim como seu desejo de competir pelo afeto de Jackie, a viúva do presidente John, assassinado em 1963. A polêmica da obra de Evans está no fato de apontar Onassis como o cerne da trama para matar Bobby.

Assim, Nemesis detalha a trilha de Onassis e as conexões que teriam resultado no financiamento do assassinato.

"Estamos tentando fazer uma produção europeia, ou seja, não contar com os americanos", comenta Meirelles. "E, depois que o filme estiver pronto, se alguma distribuidora pequena quiser comprar para o mercado dos Estados Unidos, menos mal."

Segundo o cineasta, a trama do filme não critica os Kennedys politicamente. "Na verdade, acho que eles foram um avanço na história americana. A crítica é pessoal, pois se trata de uma família disfuncional. Jacqueline Kennedy parecia maluca. O filme foca esse lado pessoal. Eles são ainda uma família 'real' americana. Ninguém quer tocar nisso."

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.