Os jovens, sim, mas os velhinhos, como ficam?

Análise: Luiz Carlos Merten

O Estado de S.Paulo

21 de setembro de 2011 | 03h07

E o Brasil, mais uma vez, trilha o caminho da violência, rumo ao Oscar. A pergunta que não quer calar é - desta vez vai? Quais as chances de Tropa de Elite 2? Se a gente soubesse a resposta... Na recente entrevista que deu ao Estado, Wagner Moura contou que o diretor Neill Blomkamp o chamou para Elysium porque é tiete de José Padilha. Há um culto internacional à mistura de política e pop de Tropa (1 e 2). O primeiro filme ganhou o Urso de Ouro em Berlim. O segundo é o maior sucesso da história do cinema brasileiro. Nenhum dos dois é o que se pode chamar de unanimidade - toda unanimidade é burra, já dizia Nelson Rodrigues.

Jovens estrangeiros, como Blomkamp, adoram o filme de Padilha. O próprio diretor brasileiro, cooptado por Hollywood, foi contratado para fazer uma nova sequência de Robocop. Existem críticos chiando porque Padilha se vendeu ao cinemão. Talvez a questão seja outra. Padilha está interessado numa carreira internacional, Robocop, como Tropa, trata da questão da segurança. Outro filme autoral? Não há por que duvidar que não.

Padilha está com o pé em Hollywood e isso pode ajudar, mas a categoria de filme estrangeiro é especial. É, como se diz, o território por excelência dos 'velhinhos' da academia. O retrospecto dos vencedores recentes aponta para filmes de recorte humanista e até intimista. Políticos, muitas vezes, mas raramente violentos. Entre os que vão disputar a indicação com Tropa 2 estão Le Havre, de Aki Kaurismaki, a quem Robert De Niro queria ter dado a Palma de Ouro, em maio; Pina, de Wim Wenders; e o extraordinário O Cavalo de Turim, de Béla Tarr. A campanha bem orquestrada vendeu o filme no Brasil. Venderá na 'América'? Toda a força ao Coronel Nascimento.

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