Paulo Pinto/AE
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Os galãs vão à luta

Para se livrar do rótulo de ''artistas de TV'', intérpretes se arriscam montando clássicos da dramaturgia

Maria Eugênia de Menezes, O Estado de S.Paulo

13 de janeiro de 2011 | 00h00

O que Harold Pinter, August Strindberg e Sam Shepard têm em comum? Para além de figurarem no panteão dos grandes da dramaturgia universal, esses autores se tornaram o alvo preferencial de alguns intérpretes. Mas não de quaisquer intérpretes. Carimbados com a pecha de galãs e mocinhas, muitos agora tentam se livrar do estigma seguindo o mesmo caminho ditado pelos norte-americanos.

Se, por lá, vingou a moda de trocar os estúdios de Hollywood pelos palcos na Broadway, aqui se torna cada vez mais frequente o movimento de recorrer a consagrados textos do teatro.

Em papéis notoriamente "difíceis", atores e atrizes da TV tentam comprovar seus dotes. Ou, simplesmente, buscam meios de se experimentar nas artes dramáticas. São esses, ao menos, os planos de Reynaldo Gianecchini, para quem "um ator tem que se arriscar, tem que estar disposto sempre a colocar o dedo na ferida".

Amanhã, assim que Silvio de Abreu colocar um ponto final na sua novela Passione, o ator planeja tirar férias. Descansar um pouco. Mas não por muito tempo. Em um restaurante dos Jardins, enquanto lida com o assédio das fãs, ele conta que tem pressa em entrar na sala de ensaio. Pretende passar alguns meses se dedicando à construção do que talvez seja o mais difícil personagem de sua trajetória: Gustavo, protagonista de Cruel - uma adaptação do clássico de August Strindberg, Os Credores.

Mas Gianecchini não é o único a lançar-se no arriscado território da "alta dramaturgia". Os projetos do ator para 2011 ecoam, em grande medida, uma trilha aberta recentemente por outros colegas de profissão. Primeiro, Thiago Lacerda mergulhou na loucura descrita por Albert Camus em Calígula. Depois, foi a vez de Malvino Salvador, conhecido quase exclusivamente por suas aparições em telenovelas, mudar de lado e surgir como o soturno protagonista de Mente Mentira, de Sam Shepard.

Cansada de bancar a boa moça, Maria Fernanda Cândido travestiu-se de malvada em Ligações Perigosas, de Christopher Hampton. E Paula Burlamaqui resolveu buscar em O Amante, de Harold Pinter, uma personagem sob medida. "Já tinha feito muitas peças, mas nunca exatamente aquilo que eu queria fazer", comenta a atriz, que abre temporada do espetáculo no Rio, dia 16 de março.

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