European Southern Observatory / AFP
European Southern Observatory / AFP
Imagem Leandro Karnal
Colunista
Leandro Karnal
Conteúdo Exclusivo para Assinante

Os buracos negros

O que sabemos sobre eles? Aprendi muito lendo o texto ‘O Pequeno Livro dos Buracos Negros’

Leandro Karnal, O Estado de S.Paulo

30 de março de 2022 | 03h00

Mais de cem anos antes, Einstein tinha dado algumas pistas. Em 14 de setembro de 2015, o sinal veio de dois centros nos Estados Unidos: um baque grave e audível originado da fusão de dois buracos negros. Outros sons seriam registrados pouco tempo depois. Os cientistas estavam eufóricos. Einstein, feliz, sorria no além infinito...

Um buraco negro é um fenômeno extraordinário e intrigante. O que sabemos sobre eles? Aprendi muito lendo o texto O Pequeno Livro dos Buracos Negros, de Steven Gubser e Frans Pretorius (Ed. Crítica). Como a minha ignorância sobre física é enorme, posso garantir às queridas leitoras e aos estimados leitores que, se eu entendi o texto, qualquer pessoa conseguirá o mesmo. Alcancei quase tudo, pois a ideia da constante cosmológica de Einstein e seu possível erro fugiram ao meu cérebro leigo de historiador. 

Quais as novidades? Centenas. Eu falava de buracos negros, inclusive como metáfora de partes da casa que faziam desaparecer coisas (como a máquina de lavar roupa). Hoje eu sei que existe um buraco negro de Schwarzchild e outro de Kerr, homenagem aos seus descobridores. Sei como funcionam e o que são. Um salto cósmico!

Os autores explicam o que seria a gravidade, como entender de forma ampla a relatividade geral e especial e fornecem exemplos hipotéticos práticos fascinantes para pensar, tempo, espaço e forças físicas em geral. 

Como leigo total no campo da Física, eu fico fascinado em imaginar que excesso de massa vai se tornando insustentável. Estrelas podem colapsar formando um buraco negro e a nossa Via Láctea possui, no seu centro, um que contém cerca de 4 milhões de massas solares. São quantias quase além da imaginação. Einstein avançou muito no campo da compreensão do universo. Stephen Hawking ampliou a concepção e demonstrou que a teoria quântica está correta: os buracos negros emitem radiação. 

O texto mostra os buracos negros como verdadeiros laboratórios teóricos de leis da Física. Os dois professores de Princeton (a mesma universidade que marcou a fase final de Einstein) apresentam ao público muitas possíveis aplicações do que estamos descobrindo com os buracos negros. É fascinante!

Ao diminuir um pouco da minha ignorância sobre o universo, retive a sensação de como somos pequenos neste terceiro planeta, debatendo coisas tão minúsculas diante de mistérios maiores que nos convidam à pesquisa e à reflexão. Buracos negros fornecem perspectiva da nossa insignificância.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.