Você diz que o personagem do Gato de Botas foi modelado a partir de você. Marisa Paredes contou que (Pedro) Almodóvar chegava a mostrar como queria que você fizesse o papel em A Pele Que Habito. É o oposto, não?

Entrevista com

20 de novembro de 2011 | 03h08

Há 22 anos não trabalhava com Pedro, desde Áta-me. O personagem, no roteiro, era maior que a vida, um louco. A tendência da gente é representar um personagem desses para fora. O que Pedro fez foi me segurar. Ele me disse: "Jogue fora tudo o que fizemos antes. Não é do jeito que você propõe. Queria esganá-lo, mas depois entendi".

Onde você buscou a inspiração para o personagem?

Não em mim. É curioso, mas sinto que há muito mais de mim no filme que dirigi e até no Gato de Botas, que foi modelado a partir de mim. O médico de A Pele Que Habito é outro a quem empresto meus gestos, meu físico, meu olhar - o olhar mais duro que já tive de expressar.

O filme será exibido no Brasil preferencialmente em cópias dubladas para o português. Ninguém vai ouvir sua voz. É decepcionante?

As pessoas poderão não ouvir minha voz, e não apenas aqui. No Japão, em vários países da Europa, mas não no México nem na Argentina, porque eu faço a dublagem em espanhol. Mas sei que elas estarão me vendo, senão ouvindo. O Gato de Botas é uma parte de mim. / L.C.M.

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