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'Os Bórgias' sai em DVD e retorna à tevê

Novidade é que a trama se apresentará dublada e já tem data para estreia da segunda temporada

ALLINE DAUROIZ - O Estado de S.Paulo,

07 de junho de 2012 | 04h23

Fonte inesgotável de histórias, lendas e fofocas de alcova na Europa do século 15, a família Bórgia ficou marcada por sua crueldade, ganância e amoralidade, principalmente na figura do patriarca, Rodrigo Borgia - que não se importou em comprar votos para se eleger como papa Alexandre VI nem em matar desafetos, enquanto se deleitava nos braços de amantes. Todos esses ingredientes, aliados ao bom texto do cineasta Neil Jordan (de Entrevista com o Vampiro), fazem o sucesso de crítica da série Os Bórgias, que já foi exibida no Brasil pelo TCM e, hoje, às 22 horas, volta à TV paga via TNT - também chega em DVD. A novidade é que a trama se apresentará dublada e já tem data para estreia da segunda temporada no TNT, em 2 de agosto.

Com atuação primorosa do premiado Jeremy Irons no papel de Alexandre 6.º, a série foi indicada para o Globo de Ouro e, nos Estados Unidos, está na reta final do 2.º ano. Apesar de alcançar pouca audiência no canal pago Showtime (entre 500 mil e 1 milhão de espectadores), a trama já ganhou aval para a produção de uma 3.ª temporada.

Intérprete de Lucrécia Borgia, filha de Rodrigo e uma das integrantes mais controversas do clã, a atriz britânica Holliday Grainger falou, por telefone, ao Estado. Segura de sua pesquisa - Holliday diz ter lido quatro biografias sobre Lucrécia, além de ter visto documentos, notas e até receitas e dicas de cosméticos do século 15 -, a atriz defendeu sua personagem.

"Muitos livros dizem que ela era do mal, um monstro. Já outros a defendem como o elo mais fraco e manipulável daquele jogo de poder em família", afirma Holliday, que faz jus à beleza lendária de Lucrécia. "Claro que ela era manipuladora, para conseguir algo para si ou para sua família. Mas tudo o que ela faz tem um motivo, uma razão. E o lado dela de que mais gosto é o de mulher inteligente, forte e apaixonada. Porque ela é uma adolescente e, no fundo, toda adolescente quer é se apaixonar."

De fato, na primeira temporada da série, pouco se vê da Lucrécia retratada pela maioria dos historiadores, mulher devassa e amoral, que envenenava inimigos do papa.

Como a trama tem início em 1492, ano do conclave que elegeu Rodrigo Borgia como papa, Lucrécia inicia a série como uma garota doce e ingênua, de apenas 12 anos. Porém, logo que seu pai ganha o trono papal, o público passa a acompanhar as agruras da menina, obrigada a se casar com Giovanni Sforza (Ronan Vibert), homem grosseirão que renega o "sangue ruim" da mulher e passa a estuprá-la.

"É interessante que o público torce por ela, porque ela é o elemento romântico. E, à medida que veem o sofrimento dela naquele casamento, percebem o modo como ela amadurece e que ela é movida pela emoção."

Polêmica, a suposta relação incestuosa entre Lucrécia e o irmão César (François Arnaud) não fica clara na trama de Neil Jordan. O que se vê em cena é apenas um carinho excessivo entre irmãos. "O relacionamento dos dois é bem ambíguo, mas até nos livros de história fica a dúvida: será que em algum momento eles viveram um relacionamento incestuoso ou era só uma relação muito forte entre irmãos?", questiona a atriz, que adianta: "Até o fim da segunda temporada, pelo menos, esse amor não vai ficar claro."

Sem dar spoilers sobre o que vai acontecer, Holliday explica que a primeira temporada foca em como a família chega ao poder e o que faz para permanecer nele. "Já a segunda mostra como esse poder e o dinheiro corrompem essa família e os rachas nos relacionamentos", diz.

De acordo com Holliday, embora o público possa achar muitas das histórias da série um tanto absurdas, tudo é baseado em fatos reais. "Garanto que a série, se não é uma aula de História, é, pelo menos, uma introdução ao período renascentista na Itália do século 15", afirma a atriz que, ao ser contratada, esperava mais nudez na série.

"Ao lembrar de The Tudors, esperava até mais cenas de sexo e nudez. Mas Os Bórgias é muito mais sobre família e conflitos políticos e isso, com certeza, me surpreendeu.

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