"Os Assumidos": a vida gay como ela é

Nesta sexta-feira, os points gays mais agitados só vão ferver mais tarde. À meia-noite, hora em que tem início o agito, os(as) freqüentadores(as) dessas áreas vão estar colados diante de aparelhos de tevê a cabo para sintonizar o Cinemax, que integra a programação da TVA e da DirecTV.Quem não tiver os serviços dessas operadoras, fará das tripas coração para encontrar amigos que os tenham. O motivo de tanto rebuliço vem dos Estados Unidos. Vai ao ar à meia-noite de sexta o primeiro episódio de Os Assumidos (que será reexibido às terças, no mesmo horário)."E o que vem a ser Os Assumidos?", perguntarão telespectadores espantados diante do nome de raro mau gosto. Esse é o título em português da série Queer as Folk, que chega aqui na versão americana.O programa, veiculado pela primeira vez na Inglaterra, em fevereiro de 1998, pelo Channel 4, levou polêmica da boa para o terreno conservador dos cadernos e páginas de tevê da imprensa britânica. Jornais e revistas foram atiçados pelo tema do seriado: o mundo gay tal como é em cidades de médio porte. Na edição britânica (exibida aqui no ano passado, pelo canal Eurochannel), Queer as Folk mostrava um grupo de gays de Manchester. Na americana, eles são de Pittsburgh.Estranho como as pessoas - Queer as Folk tirou seu nome de um provérbio do norte da Inglaterra. "There´s nothing so queer as folk", dizem na região. Tradução literal: "Não há nada tão estranho quanto pessoas". Como queer, adjetivo que significa estranho, esquisito, é também gíria para gays, o nome do programa em inglês forma um trocadilho intraduzível. Mas ainda assim é difícil aceitar Os Assumidos.Da série inglesa para a norte-americano não mudou apenas a cidade. Foram alterados ainda os nomes dos personagens. E as características da série. Há mais ousadia na versão britânica. Em especial nas cenas de relações sexuais.Mas também na série americana a câmera passeia pelas casas noturnas gays, mostra a intimidade dos personagens, a promiscuidade, o consumo de drogas "recreativas", a mistura de comportamento libertário e inconseqüência, que parece ser característica de gays em todo o mundo, de Nova York a Taipei. O "herói" da história é Brian, vivido por Gale Harrold, predador com apetite inesgotável por sexo. Ele se envolve com um menino de 17 anos (15 anos na versão inglesa), Justin, interpretado por Scott Lowell. Justin, assim que sai do armário, isto é, admite sua homossexualidade, conhece e se apaixona pelo complicado Brian. Outro personagem importante, Michael, é feito por Hal Sparks. Esse jovem não tem coragem de se declarar gay no trabalho e é profundamente apaixonado por seu amigo, Brian, que não retribui de forma alguma esse amor.Vários amigos do trio povoam a série, entre eles as lésbicas Lindsay (Thea Gill) e Melanie (Michelle Clunie). No primeiro episódio, Lindsay acaba de dar à luz um bebê, o garoto Gus, cujo pai é Brian. Não, este não mudou de opção sexual. Gus foi gerado por inseminação artificial.Os Assumidos não traz uma revolução de costumes consigo. Mas, sem condenar nem tomar partido, mostra o bom e o ruim da vida gay com uma objetividade que está a anos-luz da visão caricatural com que a mídia brasileira trata do assunto.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.