Os 65 anos da coreógrafa alemã Pina Bausch

A grande dama da dança expressionista alemã, Pina Bausch, que comemora seu 65.º aniversário no próximo dia 27, continua marcando a dança contemporânea ocidental, graças a um estilo único, que causou polêmica antes de ser mundialmente reconhecido. Desde as suas primeiras criações, no fim da década de 60, Pina dizia: "O que me interessa não é como as pessoas se mexem, e sim que se mexem". De fato, ela obteve sucesso ao mexer com o mundo da dança.A coreógrafa é velha conhecida dos brasileiros. Em dezembro de 2000, quando fez sua terceira visita ao país, trazendo sua companhia Tanztheater Wuppertal a São Paulo para apresentar a coreografia Masurca Fogo, decidiu viajar pelo País: São Paulo, Pantanal, Manaus, Fortaleza, terminando com o réveillon no Rio. O resultado da viagem foi uma obra que tinha como título "um trabalho de Pina Bausch", que estreou primeiro na Alemanha, depois no Brasil, em agosto de 2001, com música de Dorival Caymmi cantada por uma bailarina brasileira, Regina Advento, que integrava seu grupo.Pina ainda divide opiniões, embora menos do que no início da carreira, e suas coreografias, que costumam ser classificadas de "revolucionárias", não deixam o público indiferente, seja satisfeito ou cético. Prova do interesse que Pina gera são as 40 monografias e mais de 50 artigos dedicados a ela no site da companhia de balé Tanztheater Wuppertal, que a coreógrafa dirige desde 1973. Marcada por um talento inegável, Pina já recebeu 32 prêmios e distinções desde a sua primeira coreografia, Fragmento, em 1968. Desenvolveu uma linguagem corporal própria, um novo estilo, resultante de uma mistura de gêneros que descobriu ao longo de sua formação, entre 1955 e 1958, na escola Folkwang, de Essen, onde todas as disciplinas artísticas são representadas. Formada em 1958, Pina conseguiu uma bolsa para continuar sua formação na Juillard School of Music de Nova York, onde teve aulas com professores renomados, como Anthony Tudor, José Limón e Mary Hinkson. Com coreografias oníricas, carregadas de emoção, Pina Bausch trabalha com seus temas prediletos, principalmente o amor e a morte, a relação homem-mulher, a violência contra a mulher, e as relações entre indivíduo e grupo. Desde 1989, Pina inspira-se nas viagens que faz com seus bailarinos para o exterior, e tornou seus balés "cartografias imaginárias de uma paisagem". Recentemente, criou Nefes, trazida da Turquia em 2003, e Ten Chi, continuação de uma etapa em Tóquio no ano passado. Esta última foi apresentada em maio com ingressos esgotados no Théâtre de la Ville, em Paris, onde a Tanztheater Wuppertal é convidada a cada temporada desde 1978-79. O Balé da Ópera Garnier não perdeu tempo e convidou Pina a introduzir no repertório da casa sua coreografia de Orfeu e Eurídice, inspirada na tragédia de Cristoph Willibald Glueck e apresentada entre 30 de maio e 19 de Junho. Pina Bausch nasceu no dia 27 de julho de 1940, em Solingen, na Renânia do Norte-Vestefália (oeste), e foi criada no universo do pequeno hotel-restaurante que seus pais administravam.

Agencia Estado,

25 de julho de 2005 | 14h24

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