Divulgação
Divulgação

Os 45 Anos da Noviça Rebelde

Em entrevista exclusiva, Julie Andrews lembra as dificuldades e a diversão de filmar um dos maiores musicais da história

Ubiratan Brasil,

01 de novembro de 2010 | 00h43

A cena de abertura continua espetacular: uma tomada aérea que se aproxima cada vez mais do monte no qual Julie Andrews canta a imortal The Sound of Music. É com esse cartão de visita que o musical A Noviça Rebelde continua como um dos mais cultuados e rentáveis da história. Tanto que, para comemorar os 45 anos da produção dirigida por Robert Wise, a Fox está lançando mundialmente uma caixa que, além da versão em DVD e Blu Ray, traz mimos como um livro com fotos e curiosidades, o programa original de 1965 e uma caixinha de música.

É uma festa para os olhos - baseado no musical de Hammerstein e Rodgers, o filme de Wise, que tem roteiro de Ernest Lehman, conta a história (real) da Família Trapp pelo ângulo de Maria (Julie), a noviça distraída mas extremamente amável e dedicada que vai trabalhar como babá na casa do capitão (e barão) Von Trapp (Christopher Plummer). Lá, ela conquista as crianças, casa-se com o barão e vivem todos felizes para sempre - mas só depois de escapar dos nazistas, que estão anexando a Áustria e querem transformar o capitão nacionalista em um colaborador exemplar.

"Ainda guardo muitas lembranças daquela cena de abertura", contou Julie Andrews em entrevista exclusiva ao Estado, por telefone, na tarde de sexta-feira. "Tive de rodar 12 sequências até conseguirmos a medida exata." Tamanho cuidado não era preciosismo - A Noviça Rebelde foi o último dos grandes musicais a fazer um enorme sucesso: ganhou 5 Oscars (incluindo filme e direção), além de livrar a Fox da falência provocada pelo fracasso de Cleópatra. Aliás, A Noviça Rebelde foi o filme que desbancou ...E o Vento Levou (1939) como a maior bilheteria do cinema, interrompendo o reinado de 26 anos do longa estrelado por Clark Gable.

Durante muitos anos, foi apontado como um filme açucarado, por conta de suas canções ingênuas e sua trama previsível. O reparo é muito bem feito no material que acompanha a caixa lançada agora pela Fox - tanto nos inúmeros extras dos DVDs como no encarte que detalha a produção do musical na Broadway e no cinema, percebe-se uma série de mensagens sutis sobre uma época conturbada.

Tome-se como exemplo uma das músicas mais conhecidas, Sixteen Going on Seventeen, criação (como as demais canções) da famosa (e fabulosa) dupla Richard Rodgers e Oscar Hammerstein. Cantada por Liesl, a filha mais velha, quando se encontra escondido com o namorado Rolf, a letra serve para a menina comprovar sua maioridade, uma vez que está com quase 17 anos. Em um determinado momento, o rapaz afirma que ela ainda é inexperiente e necessita ser conduzida. Curiosamente, ele logo adere ao nazismo, cuja filosofia dominadora segue o mesmo preceito.

"As canções de Rodgers e Hammerstein tinham uma função específica, pois, tão logo terminassem, os personagens tomavam outro rumo", conta Julie Andrews, que temeu que o papel reforçasse um estigma.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.