Orquestra Imperial leva o baile para a sala de casa

Grupo que tem novo álbum de canções próprias abre a festa literária em Paraty

Agencia Estado

04 de julho de 2007 | 17h13

A Orquestra Imperial é um fenômenocarioca que vem ganhando terreno e adeptos em outras paragens háum certo tempo. O divertido som de baile do supergrupo agorapode ser ouvido na sala de casa com o lançamento de seu primeiroálbum, Carnaval só Ano Que Vem (Ping Pong Discos/Som Livre).Depois da minitemporada de lançamento no Teatro Rival, duranteduas semanas, nesta quarta, 4, eles fazem o show de abertura da Flip(Festa Literária Internacional de Parati), tendo o pianista JoãoDonato como convidado. Na sexta-feira, 13, eles balançam o Circo Voador, no Rio,tocando as músicas do CD e recebendo a paraense Gabi Amarantos,musa do tecnobrega. A participação de convidados, aliás, é umaconstante no projeto da banda, que tem atualmente 19 integrantesdentre os mais cotados da cena pop carioca, como RodrigoAmarante, Pedro Sá, Moreno Veloso, Domenico Lancelotti, NinaBecker, Thalma de Freitas, Nelson Jacobina. Até o veteranobaterista Wilson das Neves aderiu ao projeto idealizado porBerna Ceppas e Kassin, que produziram o CD com Mario Caldato Jr."O Wilson trouxe uma experiência que fez toda diferença para nós Deu uma sacudida na orquestra. Primeiro porque veio legitimar obaile. De outro lado, tem o fato de ele ser um mestre muitogeneroso", diz a cantora Thalma de Freitas, que está naorquestra desde o início, há cinco anos.Caetano e Seu Jorge Nesse meio tempo eles já tiveram Seu Jorge comointegrante e receberam no palco gente da música de diversosestilos, como Caetano Veloso, Marisa Monte, Marcelo Camelo, ZecaPagodinho, Bebel Gilberto, DJ Marlboro, Luiz Melodia. "Tocaragora com João Donato vai ser um luxo. Estamos todos babando",diz Thalma. Como já foi amplamente divulgado, a O.I., como também éconhecida, começou de brincadeira, com um grupo de amigos queresolveram montar uma orquestra de gafieira para deleite próprioem encontros especiais. No repertório entrava de tudo um pouco -clássicos de gafieira, boleros e outros ritmos latinos,samba-jazz, marchinhas -, mas principalmente sambas. "Com otempo sinto que a gente está mais íntimo, mais sintonizado",assinala Thalma. "O tempo é uma maravilha para maturar umtrabalho." No primeiro semestre deste ano, a big band lançou um EPcom quatro faixas de regravações, entre elas os clássicos sambasMe Deixa em Paz (Monsueto/Ayrton Amorim) e Sem Compromisso(Nelson Trigueiro/Geraldo Pereira). O álbum só tem materialinédito de integrantes da orquestra e em parcerias com JorgeMautner, Sandra de Sá, Délcio Carvalho, Tavinho Paes. Fora doBrasil vai ser um disco só juntando o álbum e o EP. "Não faziasentido a gente gravar as músicas já conhecidas que tocamos nosbailes. Mesmo que algumas não sejam megaconhecidas, já forammuito bem gravadas. É natural, mais orgânico fazer um disco coma nossa cara, já que a gente é um coletivo", esclarece Thalma aquem estranhou a diferença entre o que a orquestra faz ao vivo eo que está no CD. Este é mais contemplativo, embora todos tenhamtocado ao vivo em estúdio.Vocais Pegar leve não significa que o disco, sem público e"bagunça", com arranjos mais elaborados, não seja dançante."Acho que é mais para ouvir tranqüilo em casa mesmo, mas sequiser dá para dançar juntinho, é uma outra pegada", brincaThalma. Ela se destaca no vocal do samba Não Foi em Vão, desua autoria, e no sensual samba-canção Rue de Mes Souvenirs(Wilson das Neves/Stephane San Juan), que vem na seqüência sutilda bossa Jardim de Alah (Moreno/Quito Ribeiro), na voz deMoreno. No mesmo clima, Nina Becker se espraia pela sinuosa Deum Amor em Paz (Domenico/Délcio Carvalho), com direito acítaras e metais, para depois cair no frevo final, Supermercadodo Amor, Bartolo e Jorge Mautner. Com Jacobina, Mautner tambémassina o bolero Ela Rebola, que Moreno canta. Os homens também mandam bem nos vocais, mas é RodrigoAmarante (Los Hermanos) quem ganha maior relevo. É ele quem abreo CD cantando a ótima O Mar e o Ar (dele, Kassin e Domenico),com Thalma fazendo "coro sereia". Na mesma onda marítima elatina, Amarante encara a divertida Yarusha Djaruva, já um hitdos bailes da orquestra. No mais, o CD mantém aceso, digamos, o"espírito da coisa". Incluindo aí o aspecto do humor, como senota em faixas como o samba Ereção, cantado por Max Sette ededicado a Beth Carvalho, Luiz Melodia, Ney Matogrosso e PedroSá. No dia 16 de agosto a O.I. faz o show de lançamento doCD em São Paulo no Citibank Hall. Nas noites de sexta e sábadoda mesma semana, leva para o Studio SP o Festival Imperial, comshows separados das bandas que a orquestra abriga, como a + 2,de Kassin, Moreno e Domenico. Vai ser "a maior curtição". Com ousem ereção.

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