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Orquestra Contemporânea de Olinda volta a São Paulo com novo disco

Grupo toca nesta sexta-feira, 14, no Sesc Belenzinho e acaba de lançar o álbum 'Pra Ficar'

ROBERTO NASCIMENTO - O Estado de S.Paulo,

14 de setembro de 2012 | 03h02

A Orquestra Contemporânea de Olinda resume tão bem os laços entre tradição popular e MPB atual que é difícil evitar desgastados termos, como mistura, ao descrevê-la. Mas é fato. Um grupo que transita entre samba, afrobeat, maracatu e pop rock com tão pouco esforço, sem perder a identidade e cair na gororoba estilística de uma banda de baile, nada menos é do que uma síntese atualizada de nossa miscigenação rítmica. Mistura, mistureba, feijoada, ou caldeirão, o sabor é distinto, mesmo em meio à onda de excelentes bandas afrocêntricas a pipocar no País, nos últimos anos.

A Orquestra Contemporânea toca hoje no Sesc Belenzinho e acaba de lançar seu segundo disco, Pra Ficar, produzido por Arto Lindsay e disponível para download pelo preço de um tweet (você baixa e tuíta o link do site, orquestraolinda.com.br). No repertório, a mesma polivalência que fez da banda a mais fiel representante de Olinda em palcos brasileiros e internacionais: guitarras espertas, arranjos de frevo, letras que saúdam o azul do mar, e aquela agilidade rítmica distinta dos pernambucanos. "No primeiro disco, o processo era comum: levávamos as músicas mais ou menos compostas para os ensaios e resolvíamos lá. Desta vez, compusemos o disco inteiro em conjunto, o que não é normal em outras bandas, mas aos poucos, percebemos que funcionava", conta o guitarrista Juliano Holanda, ao Estado. O entrosamento, perceptível no disco, é decorrente de turnês que levaram a banda a lugares como o Barbican, em Londres, o Kennedy Center, em Washington, e o Lincoln Center, em Nova York. Alguns ecos do afrobeat de Fela Kuti, que se tornou um nicho musical no eixo Rio-São Paulo, nos anos em que a banda esteve em turnê, são claros no novo disco, principalmente na segunda faixa, De Leve. "Esse movimento de afrobeat já acontece há alguns anos em Olinda. A própria Nação Zumbi tinha muito disso. Nós ficamos assistindo a essas bandas de uma forma interessante aqui, porque tínhamos ouvido isso há muitos anos, tocávamos músicas do Hypnotic Brass Ensemble, que já gravou com Tony Allen, baterista do Fela. Agora, a nossa forma de tratar o afrobeat é diferente. Tendemos a não reproduzir exatamente as batidas, como faz o Bixiga 70, por exemplo. Não usamos clave. O que não quer dizer que não gostamos do Bixiga", explica.

Mas, alicerces rítmicos à parte, o verdadeiro diferencial da Orquestra são os arranjos do maestro Ivan do Espírito Santo, macaco velho das bandas de frevo olindenses. Seu trabalho em Pra Ficar é coadjuvante, faz apenas a cama para os vocais do cantor Tiné, mas, para o ouvido atento, roubam a cena. São arranjos de sopros que flertam com a velocidade do frevo, mas nem tanto, embelezam as canções com o tipo de riqueza harmônica que pouco se ouve entre os expoentes da MPB contemporânea.

É justo que não haja harmonias jobinianas em um show do Bixiga 70, do Afroelectro, ou do Baiana System, por exemplo. Este tipo de lirismo não se adequa à proposta dançante dessas bandas. Mas, em faixas como Do Bem, da Orquestra, trazem um toque lírico a uma banda conhecida pela força de seus shows (a notícia, aqui, talvez seja, nem tanto o lançamento do disco, como o fato de que há uma apresentação). "A orquestra é muito heterogênea. Cada um tem uma formação musical. A música que une todo mundo tem raiz africana, mas não ficamos presos nisso", completa.

ORQUESTRA CONTEMPORÂNEA DE OLINDA

Sesc Belenzinho. Rua Padre Adelino, 1.000, tel. 2076-9700. Hoje, 21h30. R$ 6/ R$ 24.

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