Organizações judias publicam lista com 20 mil obras roubadas por nazistas

Organizações judias publicam lista com 20 mil obras roubadas por nazistas

Organizações explicam que lista inclui parte das cerca de 650 mil obras roubadas após a invasão da França

EFE

19 de outubro de 2010 | 13h49

Várias organizações judias divulgaram um imenso arquivo digital com mais de 20 mil obras de arte apreendidas pelos nazistas, entre as que se encontram dezenas de telas de Picasso e Goya.

 

Com a elaboração desta base de dados, as organizações judias pretendem facilitar o retorno das obras roubadas pelos nazistas na França e Bélgica durante a Segunda Guerra Mundial, entre 1940 e 1945, a seus proprietários originais.

 

Por trás deste trabalho, que pode ser visto no site do banco de dados, se encontram o Museu do Holocausto, em Washington, e a conferência sobre reivindicações materiais dos judeus contra a Alemanha, com sede em Nova York.

 

Até agora existiam várias listas, entre elas a dos arquivos nacionais dos EUA e dos arquivos alemães, mas não havia uma única base de dados com nome e descrição dos objetos roubados.

 

Para reunir o material, estas organizações contaram com a ajuda do próprio regime nazista, que deixou como herança uma enorme lista das obras apreendidas pela Einsatzstab Reichsleiter Rosenberg (ERR), a unidade militar do Terceiro Reich.

 

De fato, a identificação das obras foi possível graças aos documentos que os nazistas processaram em Jeu de Paume, o edifício situado nos jardins das Tullerías, em Paris, para onde as obras eram levadas antes de serem vendidas ou repartidas entre os altos oficiais do Reich, segundo explicam as organizações.

 

A lista contém obras que foram roubadas dos judeus, entre eles telas de Johannes Vermeer, Rembrandt e Leonardo da Vinci.

 

Também inclui um registro com mais de 80 telas de Picasso, cerca de 20 de Goya, além de obras de Joan Miró e de Salvador Dalí.No entanto, as organizações explicam que esta lista inclui apenas uma pequena parte das cerca de 650 mil obras que foram roubados de famílias, galerias e colecionadores judeus após a invasão da França. Muitas das obras foram recuperadas, mas "milhares continuam desaparecidas", explicam as organizações.

 

Em declarações à emissora "BBC", o presidente da conferência, Julius Berman, disse que "agora é responsabilidade dos museus, das galerias e das casas de leilão verificar se as obras que possuem podem ser as roubadas das vítimas do Holocausto".

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.