Ópera 'Romeu e Julieta' estreia no Teatro São Pedro

E se, pelo menos uma vez, a história de amor de Romeu e Julieta tivesse final feliz? Não, na montagem da ópera de Gounod baseada no texto de Shakespeare, que estreia hoje no Teatro São Pedro, não foi alterado o fim da trama. "A questão é que algumas versões que ouvimos acabam por ser chatas porque dramatizam cada pedacinho da partitura. Mas, quando se faz ela torcendo para que eles fiquem juntos, a música fica linda. Claro, o público já sabe o que vai acontecer. Mas os personagens devem passar a ideia de que esperam que o final seja feliz, deixando o sofrimento para a plateia", diz o maestro Luis Gustavo Petri.

AE, Agência Estado

10 de agosto de 2011 | 10h41

Assinada por Petri, que comanda a Sinfônica do Teatro São Pedro, e pelo diretor Vinicius Torres Machado, a montagem traz dois elencos compostos de artistas brasileiros. O destaque são os dois tenores que encarnam o papel de Romeu. Fernando Portari, que terá ao seu lado a soprano Rosana Lamosa como Julieta, volta ao Brasil depois de passar por importantes palcos europeus, como a Ópera Estatal de Berlim e o Scala de Milão; já Atalla Ayan, que divide o palco com Laryssa Alvarazi, acaba de fazer sua estreia com a companhia do Metropolitan Opera, de Nova York. Os barítonos Leonardo Neiva e Amadeu Tasca, além do baixo Saulo Javan, também estão no elenco das apresentações.

Estreada em 1867, "Romeu e Julieta" é a nona ópera de Gounod, que já havia conquistado enorme sucesso com "Fausto", baseada em Goethe, em 1859. "As duas são as suas principais obras", diz Petri. "O curioso é que, talvez por seu caráter mais filosófico, o Fausto tenha feito mais sucesso a princípio. Romeu e Julieta é uma obra prima. Encarar um Shakespeare não é tarefa das mais simples. Mas Gounod foi extremamente feliz em sua adaptação."

Em um texto publicado no ano passado, o dramaturgo Bartlett Sheer, que dirigiu a ópera de Gounod para o Festival de Salzburgo, estabelece uma relação entre a obra e o "Tristão e Isolda" de Wagner. Abordando o conceito de tragédia e a relação entre amor e morte ao longo do romantismo, ele vê a ópera de Gounod como um longo dueto de amor entre os protagonistas. Petri concorda, ressaltando a presença de quatro duetos na partitura. "Ao optar por encher a obra de cenas dedicadas aos dois, Gounod nos faz sentir bem de perto o que o casal vive no curto período em que se encontram. E isso nos passa a dimensão trágica deles, a certeza de que o destino manipula os personagens que, no entanto, não perdem jamais a esperança." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Romeu e Julieta - Teatro São Pedro (Rua Barra Funda, 171, Barra Funda). Informações: (011) 3667-0499. 4ª a 6ª, 20h; sáb. e dom., 17h. R$ 30. Até 14/8.

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