Ópera Pelléas Et Mélisande fala sobre triângulo amoroso

"O meu ideal é associar sonhos", escreveu Claude Debussy ao amigo Ernest Guiraud, em 1890. "Não penso em uma época, não imagino um lugar. Não há grandes cenas." O compositor referia-se a seu ideal de ópera, que começou a ganhar vida quando assistiu à peça Pelléas et Mélisande, de Maeterlinck (representante do Simbolismo, do desejo de narrar uma história a partir do universo inconsciente, por meio de sugestões), e decidiu adaptá-la.

AE, Agência Estado

14 de setembro de 2012 | 12h13

Na recriação de Debussy, a paisagem é, assim, interna - e se há um ambiente em que se passa a história, é a mente dos personagens, envolvidos em um misterioso triângulo amoroso. Como retratar esse universo sobre o palco? Como dar forma a ele? Na montagem da ópera que estreia neste sábado, 15, no Teatro Municipal, a tarefa coube ao experiente cenógrafo Hélio Eichbauer, que tem em seu currículo trabalhos que se misturam à história do teatro brasileiro - caso da montagem de O Rei da Vela, de Oswald de Andrade, em 1967, no Teatro Oficina.

A produção se deu após uma temporada em que Eichbauer viveu em Praga, onde estudou com o mestre Joseph Svoboda, conhecido pela recusa do naturalismo na formatação dos cenários e pela aposta em um universo cênico feito de símbolos. Nesse sentido, o trabalho em Pelléas et Mélisande - e os desafios impostos pela obra -, dialoga com a própria formação do cenógrafo. Mas as relações possíveis vão além do contato com Svoboda - e recuperam momentos pessoais de sua trajetória.

"Essa música me leva de volta à adolescência", diz ele. "Debussy e Ravel são autores que me cativaram desde muito cedo, pelo próprio envolvimento com o simbolismo, mas também pelo passo em direção à modernidade, que é tão claro em Debussy." Na adolescência, vivendo em Nova York, ele lembra que sua família era bastante próxima da soprano Bidu Sayão. "Ela foi uma grande intérprete da Mélisande, a maior que o Brasil teve. Na verdade, ela fazia Debussy muito bem. Lembro de ter ido à sua despedida, no Carnegie Hall, quando ela cantou La Damoiselle Élue."

A ópera sempre esteve presente na trajetória de Eichbauer. Ele diz que, de alguma forma, sempre gostou mais da música do que do teatro de prosa. E se lembra da primeira ópera que dirigiu, no início dos anos 70, no próprio Municipal de São Paulo. "Era um Pagliacci, do Leoncavallo, com o maestro Diogo Pacheco e direção do Celso Nunes. Nós tiramos a ação do século 19 e a colocamos nos arredores de uma cidade qualquer do interior paulista, levando a história para os anos 70. Foi um escândalo", ele lembra, divertindo-se. Viriam, então, dezenas de produções de um repertório bastante variado. No Municipal do Rio, estreou com Orfeu e Eurídice, de Gluck - e confessa que adoraria trabalhar em montagens de outras obras do compositor. Nos últimos anos, assinou a cenografia, em São Paulo, de Sansão e Dalila, de Saint-Säens, e, no Rio, de Macbeth, de Verdi, em uma produção dirigida por Sérgio Britto.

Pelléas Et Mélisande - Teatro Municipal. Praça Ramos de Azevedo, s/nº, 3397-0327. Sáb. (15), 2ª (17), 4ª (19) e 6ª (21), 20 h; dom. (23),

17 h. R$ 40/ R$ 100.

As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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