Décio Figueiredo/Divulgação
Décio Figueiredo/Divulgação

Ópera 'O Amor dos Três Reis' traz simbolismo à italiana

Espetáculo de Italo Montemezzi ganha montagem em São Paulo mais de cem anos depois de sua estreia na Europa; confira

João Luiz Sampaio, O Estado de S. Paulo

18 Março 2015 | 02h06

A passagem do século 19 para o 20 foi um dos períodos mais marcantes da história da cultural europeia. Mas, para compositores italianos de ópera, atuar naquele momento significou, na maioria das vezes, viver na sombra entre a fama tardia de Giuseppe Verdi e a onipresença de Giacomo Puccini. Foi o caso de Italo Montemezzi, cuja principal a obra, O Amor dos Três Reis, sobe ao palco hoje para abrir a temporada lírica do Teatro São Pedro, mais de cem anos depois de sua estreia, em 1913.

A escolha da ópera foi feita pelo maestro Luiz Fernando Malheiro, que buscou em sua primeira temporada como diretor artístico do São Pedro apostar em títulos menos conhecidos.

"O caso do Montemezzi é emblemático, porque é uma obra que poucos conhecem, mas é capaz de agradar tanto aos amantes do romantismo quanto aqueles mais interessados no modo como o drama musical se transforma no começo do século 20. Nesse sentido, não estamos mais no terreno do verismo. E o que a música de Montemezzi sugere, na verdade, é um contato com Debussy ou Strauss", disse.

O historiador Donald Grout definiu O Amor dos Três Reis como "a maior tragédia da ópera italiana depois do Otello de Verdi", obra, aliás, que está em cartaz atualmente no Teatro Municipal de São Paulo. Baseada em uma peça de Sam Benelli, também autor do libreto, ela é um drama de adultério e assassinato, no qual personagens masculinos gravitam em torno da princesa Fiora.

"É muito interessante o modo como Montemezzi orquestra a música. E também é preciso chamar atenção para o fato de que, do ponto de vista teatral, ela é muito fluente, com um arco dramático bem definido", diz Malheiro, que assina a direção musical do espetáculo.

O encenador mexicano Sergio Vela, responsável pela concepção cênica da montagem do São Pedro, concorda. Não é a primeira vez que ele trabalha com Malheiro: os dois já estiveram à frente de uma produção de Parsifal, de Richard Wagner, no Festival Amazonas de Ópera. E ele vê em Montemezzi ecos da música do compositor alemão.

"Quando comecei a estudar esta ópera, encontrei sonoridades pós-wagnerianas, que remetem também a Richard Strauss", ele diz. "Da mesma forma, é preciso lembrar que O Amor dos Três Reis nasce dez anos depois de Pelléas et Mélisande, de Debussy, baseada no teatro simbolista de Maurice Maeterlinck."

Isso significa, em outras palavras, que Vela parte do pressuposto de que a ópera "traz mais perguntas do que respostas". "É isso que me interessa, trabalhar o espaço vazio do palco, sem ideias preconcebidas, descobrindo aos poucos como narrar a história." Outro aspecto que lhe interessa é a "oposição entre conquistadores e conquistados", que está no pano de fundo do libreto.

O diretor trabalha, na montagem paulistana, com um elenco formado de cantores brasileiros: o tenor Juremir Vieira, a soprano Daniella Carvalho, o barítono Douglas Hahn, o baixo Sávio Sperandio, o tenor Matheus Pompeu e a soprano Debora Dibi. Também participam o Collegium Musicum de São Paulo e o Coral Lírico Paulista.

O AMOR DOS TRÊS REIS
Teatro São Pedro. Rua Dr. Albuquerque Lins, 207, tel. 3661-6529.Quinta, às 20 h. R$ 30/ R$ 70. 

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