ONGs vão listar programas de TV ofensivos

Diversas organizações não-governamentais decidiram fazer umcadastro de programas sensacionalistas de TV que ferem os direitoshumanos e realizar campanha para que público desligue o aparelho oumude de canal. A lista negra estará numa página na Internet. O pactofirmado na VII Conferência Nacional dos Direitos Humanos, realizada nasemana passada, prevê ainda o convencimento das empresas para que nãoanunciem seus produtos nos horários de exibição dos programasapelativos.Entre as entidades que prometem combater esse tipo de programa estão oInstituto de Estudos Sócio-Econômicos (Inesc), o Movimento de Meninos eMeninas de Rua e a organização Ações em Gênero, Cidadania eDesenvolvimento (Agende).O caso mais recente foi o programa Domingo Legal do apresentadorAugusto Liberato, o Gugu, no SBT, no último fim de semana, que levouuma "vidente" para percorrer os corredores do Carandiru onde 111 presosforam massacrados. "Foi um sensacionalismo barato para garantir aaudiência", classificou o presidente da Comissão de Direitos Humanos daCâmara dos Deputados, Orlando Fantazzini (PT-SP).A sensitiva Socorro Leite, acompanhada por Gugu, despejou em váriospontos do Carandiru sal grosso colorido e um líquido preparado comervas para "libertar as almas" no presídio, que deverá ser desativadoaté o final do ano. Gugu prometia mostrar ao público o que havia atrásde elevadores lacrados e com as portas tampadas por tijolos para evitarfugas. Durante o périplo, a vidente, aos prantos, dizia que aquilo era"muito forte" para ela.A visita aos corredores era intercalada com cenasreais dos corpos das vítimas do massacre do Carandiru, dando aimpressão de que ao abrir o elevador o telespectador enxergariacaveiras. Mas não se confirmou. No fosso, apenas água e lixo.Para o deputado Fantazzini, o programa fez sensacionalismo com a fédo público e não contribuiu para a construção da cidadania. O deputadolembra que o ex-ministro da Justiça, José Gregori, negociou sem sucessocom as emissoras um código de ética para melhorar a qualidade daprogramação. Ele diz que a sociedade precisa pressionar para que as TVsacabem com os programas de baixo nível e pede a colobaração dosempresários. "Sem patrocínio, esses programas morrem."

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