Onde está a felicidade?

Comédia do casal Bruna/Riccelli discute tema que está no ar, e busca a elevação

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

22 de agosto de 2011 | 00h00

Ela escreve, ele dirige e, quando Bruna Lombardi começa a mostrar a Carlos Alberto Riccelli os primeiros esboços do que será um roteiro, as contribuições que ele traz são sempre as de quem já está visualizando o filme que poderá sair dali. O casal (20?) do cinema brasileiro está de volta. Depois de O Signo da Cidade, a pegada é outra - Onde Está a Felicidade?. O filme estreou na sexta. Lançamento grande, com mais de 150 cópias. A distribuidora Fox acredita no êxito. "A sessão em Paulínia foi uma loucura e, depois, em todo lugar em que mostramos o Felicidade, o público reagia sempre do mesmo jeito, rindo muito", avalia Bruna.

É a reação contrária à que ambos, parceiros na arte e na vida, provocaram com O Signo da Cidade. "Vi muita gente chorar no Signo. Tivemos sessões emocionantes no Brasil e no exterior", lembra Bruna. Felicidade nasceu na contramão do Signo. Depois do drama, o que fazer? Uma comédia, até como reação. Comédia, riso lembram felicidade. "Quando comecei a escrever, pensava no que é a felicidade, onde está?" A felicidade pode muito bem estar no ar - "Pesquisando sobre o assunto, descobri que o curso mais procurado na Universidade Harvard é "happier", que discute e ensina a ser feliz."

No caso de Bruna, ela pensou na felicidade como uma experiência mística, espiritual - e, quase imediatamente, o Caminho de Santiago entrou na trama. "Sempre quis fazer o caminho, mas achava que seria impossível parar um mês inteiro com tudo para viver a experiência", ela comenta. Como num jogral, Riccelli acrescenta - "Eu também tinha uma curiosidade imensa pelo "caminho". Achava que seria bacana, mas também duvidava que um dia pudesse fazê-lo. Entre pesquisa e rodagem, terminamos fazendo o caminho seis vezes. Só ali ficamos três meses."

O filme demorou seis para ser rodado. Filmar em outro país, no caso, a Espanha, é como fazer dois filmes. "Você tem todo o trabalho de preparação, uma equipe diferente, línguas diferentes. Mas foi tudo tranquilo. Lá, como aqui, as pessoas foram muito solidárias. E o Ri sabe como levar o set numa boa. Ele não eleva a voz com ninguém, e agrega. Faz com que todo mundo termine pegando junto." Ri é Riccelli, o marido, o companheiro, o cúmplice. A família que filma unida, permanece unida. Bruna e "Ri" trouxeram o filho, Kim, para as suas equipes. Ele pega junto com a mesma disponibilidade e entusiasmo dos pais.

"Fazer um filme é muito difícil. E é um risco grande - por mais empenho que você coloque, nunca consegue antecipar se o filme será bom. Estamos vivendo a angústia do pré-lançamento", dizia Bruna, na entrevista realizada no começo da semana passada. "O que nos tranquiliza é que as reações, em todas as sessões, têm sido boas", ela completa. É diferente escrever para comédia? "Penso primeiro nos personagens, na história e, em função disso, as situações vão surgindo. Como queria que fosse comédia, procurei ser mais leve, deixando o filme fluir."

Riccelli observa que drama e comédia são rótulos. O que importa é sempre o personagem. E o elenco - "Adoro trabalhar com atores. Não existe prazer maior do que ler o roteiro imaginando o personagem e, depois, ver o ator lhe dar vida." Já que Bruna escreve o roteiro, como é trabalhar com ela, como atriz? Bruna interfere muito no processo? "A gente discute muito o filme, as intenções, os personagens, tudo isso antes de iniciar a filmagem. No set, ela é somente, ou acima de tudo, atriz."

E Riccelli não tem vontade de atuar num de seus filmes? "Mas ela não escreve personagem para mim!", ele exclama. Já na confecção do roteiro, Bruna antecipava que o protagonista masculino de Felicidade poderia - deveria - ser Bruno Garcia. O filme será um blockbuster? "Nossa, nunca pensei no tamanho do filme. Foi após Paulínia que essa história surgiu. Mil, 10 mil, 100 mil, não me importa o número de espectadores. O que quero é tocar as pessoas. Quando se começa na poesia, como eu, o número não é o mais importante. Não tenho nada contra o sucesso, é muito bem-vindo, mas para mim a qualidade importa mais do que a quantidade", diz Bruna.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.