Matteo Prandoni
Matteo Prandoni

Olivier Rousteing, da Balmain, fala sobre luxo e sensualidade na era das redes sociais

Aos 23 anos, estilista chegou à grife francesa Balmain e, aos 24, foi alçado a diretor criativo da marca — desde Yves Saint Laurent, nunca mais alguém tão jovem havia alcançado o topo de uma maison desse porte

Entrevista com

Olivier Rousteing

Maria Rita Alonso, Especial para O Estado de S. Paulo

26 de agosto de 2019 | 03h00

O estilista Olivier Rousteing costuma dizer que não sabe de onde veio, mas sabe para onde quer ir. Adotado por uma família francesa, ele cresceu em Bordeaux onde enfrentou bullying e homofobia até ir morar em Paris e trabalhar com moda. Sua ascensão foi meteórica. Aos 23 anos, chegou à grife francesa Balmain e, aos 24, foi alçado a diretor criativo da marca — desde Yves Saint Laurent, nunca mais alguém tão jovem havia alcançado o topo de uma maison desse porte.

Hoje, aos 33 anos, com 5,4 milhões de seguidores no Instagram, amigo íntimo das celebridades digitais mais poderosas da rede, o estilista é reconhecido por ter conseguido renovar a imagem da marca, que esse ano voltou a integrar a semana de Alta-Costura de Paris

Sua moda sexy e moderna traz ombros empinados, cintura marcada, costas de fora, saias curtas, blazers longos e uma atitude ultra confiante. São roupas fotogênicas, feitas sob medida para as mídias sociais e exibidas frequentemente por gente fervida e influente como a cantora Rihanna, as irmãs Kardashian, a top Cindy Cawford, a cantora Anitta e a atriz Taís Araújo. Em visita a São Paulo, para a festejar a loja inaugurada em maio no shopping Cidade Jardim, o estilista falou com exclusividade ao Estadão. “Confiança é a palavra-chave. Se você tem orgulho de ser quem você é, não tem vergonha de pensar do seu jeito. Confiança traz liberdade”, diz.

Por que acha que as mulheres brasileiras se identificam tanto com a sua moda?

A brasileira é atrevida, é ousada. Ela se sente livre para expressar suas próprias ideias e seu próprio estilo, para ser quem ela é. Tenho muitas clientes e amigas no Brasil.

Alguma musa por aqui?

Sou obcecado pela Anitta! Ela leva a cultura brasileira para a cena internacional de um jeito verdadeiro. É confiante e ao mesmo tempo generosa e humilde. Também amo Taís Araújo! Ela é linda, é solar e adora brincar com seu próprio estilo. Vejo a mulher brasileira assim. 

Sua história virou um documentário chamado Wonder Boy, que será lançado no Festival de Veneza. O que podemos esperar dele?

É uma aventura ter uma câmera 24 horas por dia com você durante 2 anos. Todo mundo fala de inclusão e diversidade, e acho que o documentário ajuda a exemplificar isso de maneira honesta. Você vai me ver chorando, rindo, gargalhando… Acho que passa a ideia de que hoje na moda o importante é não fingir ser o que não é. 

O que leva de sua infância para o seu trabalho na Balmain?

Como você sabe, sou adotado, vim de um orfanato e fico sempre procurando pelo meu lugar do mundo. Isso é mais importante para mim do que para quem sabe de onde veio. Definitivamente, sei que meu início não foi tão bom quanto o meu presente e estou sempre me cobrando para ter um futuro melhor. Costumo dizer que não sei de onde vim, mas sei para onde quero ir. Essa força que tenho vem de meu background e é ela que coloco no trabalho. É um sentimento de que não existe julgamento. A moda é tão focada em julgamento, regras do que você tem que ter, de quem você tem que ser... Meu passado traz a mensagem de que não há regras.

De que maneira as redes sociais ajudam a quebrar as velhas regras da moda?

As redes sociais traduzem visões de mundo de uma maneira espontânea. A melhor coisa sobre as celebridades é que eles falam com uma geração através de relações, e é por isso que marcas querem estar próximas a elas. Não é só pelo hype. As revistas de moda perderam a espontaneidade.

Como você acha que a Geração Z vai consumir itens de luxo nos próximos anos? 

Temos que ser cuidadosos com essa obsessão por querer saber o que a Geração Z vai querer usar. Hoje, todos acham que será o streetwear, mas temos que considerar que essa é uma geração rápida. Hoje ela ama, amanhã já enjoou. Acredito que ninguém vai se cansar é de qualidade, por isso temos que focar no luxo e em peças atemporais. Com relação à Geração Z, o mais importante é respeitá-los e não pensar que, por serem jovens, não são capazes de entender o que é uma boa moda. 

A Balmain tem projetos relacionado à sustentabilidade? 

Sustentabilidade não é um trending topics para nós, mas é um assunto muito importante. Estamos fazendo mudanças do melhor jeito possível, principalmente quando paramos de usar pele e quando escolhemos um couro ou um tecido. Isso é um processo longo, mas estamos no caminho.

Como é ser o diretor criativo mais jovem em Paris desde Yves Saint Laurent?

Prefiro não me dar conta disso. Trabalho todo dia das 9 da manhã às 10 da noite. No início, não foi fácil, muita gente duvidou de mim porque eu era muito jovem. Algumas pessoas decidiram ir embora, mas os que ficaram no ateliê são como minha família hoje. Cada passo que dá pode ser certo ou errado, e você só aprende com os erros. Mas tento não pensar nisso e imaginar que vou ser fresh e jovem para sempre.

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