Olinda troca carnaval por eruditos bem populares

4. ª edição da mostra de música reúne Egberto Gismonti, Antonio Meneses e Yamandú Costa

Lívia Deodato, do Estadão,

10 de setembro de 2007 | 19h33

Um carnaval fora de época em Olinda. Só que no lugar do frevo, música clássica com forte tempero popular. Assim foram os cinco dias da 4.ª edição da Mostra Internacional de Música em Olinda (MIMO), que teve fim no domingo, 9. "É maravilhoso poder provocar a mesma ansiedade que a população sente quando é carnaval", disse Lu Araújo, diretora geral e artística do evento.   Antonio Meneses e a pianista Celina Szrvinsk agitam Olinda Egberto Gismonti e Naná Vasconcelos, encontro histórico Violinista Jerzy Milewski lota convento   Exemplo disso são Caio Azevedo, de 20 anos, Samantha Reis, de 23, Fernanda Mateus, de 23, e Maria Socorro, de 22, que chegaram três horas antes da distribuição dos ingressos gratuitos para o show de encerramento do MIMO , de Hamilton de Holanda e Yamandú Costa. "Vi um show de Yamandú no teatro da UFPE e gostei muito. Queríamos também ter visto o Egberto (Gismonti), mas não conseguimos ingressos. Os cambistas queriam nos vender por R$ 20. Preferimos assistir à Camerata Petrobras na Igreja de São Bento, que também foi maravilhoso", contam. Opções de altíssimo nível não faltaram. As 21 atrações, entre Antonio Meneses e Celina Szrvinsk, João Donato e Paulo Moura, Czezh Chamber Solists e Isaac Karabtchevsky, foram divididas pelas igrejas históricas, o Convento de São Francisco (o convento franciscano mais antigo do Brasil), o Seminário de Olinda e o Coreto da Praça do Carmo, onde o Grupo de Metais da Orquestra Petrobras Sinfônica fez o público voltar ao início do século 20 ao som de maxixes e chorinhos na manhã de domingo. "Vassourinhas", o frevo mais famoso nascido no coração de Olinda pôs todo mundo para dançar e quase suplicar para que não deixassem a praça, de tanto que pediram bis.   Yamandú e Hamilton fizeram as 600 pessoas presentes naIgreja da Sé, além das mais de 200 que ficaram do lado de fora,mas que puderam apreciar o show pelo telão, não piscarem osolhos, num silêncio absoluto. A grande estrela da MIMO resolveudar uma canja junto à dupla para abrilhantar ainda mais aapresentação: Naná Vasconcelos, no improviso, subiu ao palco eemocionou tocando "As Pastorinhas", de Noel Rosa e João de Barroque contou com o coro do público ao fundo. De arrepiar.   O percussionista pernambucano de 63 anos se apresentouno primeiro dia da mostra, quarta-feira, ao lado de EgbertoGismonti para mostrar, depois de exatos 30 anos, o antológicoálbum "Dança das Cabeças". E ainda topou o convite dovioloncelista americano Eugene Friesen para se apresentar ao seulado na Igreja de São Pedro no sábado. "Sou fã do Naná, tenhovários álbuns dele. Foi uma honra conhecê-lo pessoalmente eainda mais por ele ter topado tocar comigo", afirmou Friesen."Eu acredito nessa união entre o popular e o erudito. Sãoextremos sons que celebram a diferença, enriquecem a música. Eudisse extremos sons, não extrema-unção, viu?", brincou o semprebem-humorado e transcendental Naná, numa alusão religiosa.   A surpresa do festival ficou por conta de Vitor Araújo,de apenas 18 anos. O jovem não só toca piano, como sobe nele. Eesquece, por um momento, que o instrumento é de percussão,tocando suas cordas. Seus vídeos no YouTube já viraram uma febree ele já coleciona uma polêmica por "inventar demais" sobrecomposições alheias. Vai gravar um DVD no fim do ano no TeatroSanta Isabel, de Recife, com composições próprias. Uma delas,que apresentou no Convento de São Francisco no sábado, trazembutida a simplicidade e a capacidade de atingir o coração."Digo sempre que não sou eu quem está tocando." Quem é? "Boapergunta. Ainda não sei responder." O povo de Pernambucoagradece a tudo o que viu e não vê a hora de chegar a próximaMIMO, no ano que vem.   A repórter viajou a convite da organização do festival

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