Olinda Instrumental

A cidade musical reverbera durante uma das mostras mais promissoras do País

Roberto Nascimento, O Estado de S.Paulo

09 de setembro de 2010 | 00h00

A alma carnavalesca de Olinda se esconde por trás de paredes históricas e ladeiras de paralelepípedo durante grande parte do ano, dando vez à vida pacata, quase interiorana que se leva nos arredores de seu centro. Mas bastam meia dúzia de acordes, um pandeiro e um pífano para que Olinda faça festa. Basta um punhado de shows para que os habitantes da cidade - e nordestinos de todos os cantos, europeus e alguns paulistanos duros de cintura - se juntem para dar à cidade um tira-gosto comportado das festas de fevereiro.

Foi assim durante boa parte deste feriado, em que Olinda recebeu a sétima edição da Mostra Internacional de Música em Olinda, a Mimo. O festival trouxe grandes nomes do jazz e do erudito, como o lendário pianista McCoy Tyner, o guitarrista Mike Stern e o quarteto de cordas vienense Hugo Wolf. Mestres da música instrumental brasileira do quilate de Egberto Gismonti e Carlos Malta, compareceram, assim como os pratas da casa Orquestra Contemporânea de Olinda (foto). O festival foi uma reafirmação, realizada com verba do Ministério da Cultura e do BNDES e visível na importância crescente dos nomes que tocaram no festival, da relevância do núcleo musical do Recife e arredores, que, ao longo da última década, se tornou ponto de escala para músicos internacionais de todos os gêneros.

Durante as seis noites do evento, os blocos não foram às ruas, o frevo não rasgou pelos becos e o povo não se entregou à devassidão - pelo menos não na medida em que os shows, grande parte deles realizada dentro da profusão de igrejas que se impõe sobre a cidade, possibilitavam - mas um público atento, despretensioso e, principalmente, aberto a novos sons, trouxe à tona a alma musical da cidade, comparecendo à bem-servida programação de documentários musicais e também a um programa educativo de alto nível que incluiu um curso de regência conduzido por Isaac Karabtchevsky. Ao redor do festival, a esfuziante miscelânea musical de Olinda - forrós, afoxés, ensaios de maracatu e orquestras de frevo - complementaram a aura luminosa da cidade.

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