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Olho no Olho

Histórias de ídolos muitas vezes inacessíveis são reveladas pelo 3º Festival Internacional do Documentário Musical

Lauro Lisboa Garcia, O Estado de S.Paulo

23 Abril 2011 | 00h00

O dueto barroco da soprano Kathleen Battle com o trompetista Wynton Marsalis. O samba do carioca Candeia e a melancolia do baiano Batatinha. Momentos históricos do rock dos britânicos Beatles e Rolling Stones nos Estados Unidos, pelo olhar de Albert e David Maysles. A visão de Carlos Saura sobre o flamenco, o tango e o fado. A paixão do pianista ucraniano Vladimir Horowitz por Mozart. A vida dos Novos Baianos em comunidade no Rio. A história de três rappers ativistas do Caribe e dos tikis havaianos. A potência metaleira de Lemmy Kilmister, veterano baixista do Motörhead. A representativa filmografia de Andrucha Waddington, que inclui o comovente Tempo Rei (1996), sobre Gilberto Gil. Tudo isso e muito mais pode ser visto na 3.ª edição do bem-sucedido In-Edit - Festival Internacional do Documentário Musical.

Com mais de 70 filmes na programação, entre longas e curtas, o evento começa em São Paulo na quinta-feira, 28, e vai até dia 8 de maio. No Rio será de 6 a 12 de maio. Maysles vem a São Paulo falar um pouco de sua técnica de cinema e bastidores de filmagens e é um dos homenageados do festival, ao lado de Saura e Andrucha, que ganham mostras retrospectivas. Flamenco, Flamenco (2010), um dos dois filmes do diretor espanhol sobre o gênero, será exibido pela primeira vez no Brasil e abre o festival em sessão só para convidados no MIS.

Outra boa novidade é que Nelson Pereira dos Santos e Dora Jobim vão exibir trechos de seu tão esperado documentário A Música Segundo Tom Jobim, no domingo, 1.º/5, às 18 h. Em seguida haverá um debate com os diretores e um pocket-show de Paulo Jobim e convidados. Este ano, o festival está um pouco maior e terá também mais shows, como os da tocadora de pífano Zabé da Loca e do guitarrista Lanny Gordin, personagens de dois dos documentários.

O diretor do festival, Marcelo Andrade, diz que escolheu Maysles como um dos grandes nomes desta edição "pelo conjunto da obra", que não tem só títulos sobre rock, mas também sobre música erudita, de Kathleen Battle e Horowitz, também inéditos nas salas brasileiras.

"Maysles é um pioneiro do cinema direto, de ter uma câmera na mão e o acaso como roteirista. Ele não tem o menor controle do que está acontecendo. What's Happening tem uma coisa engraçadíssima, porque mostra os Beatles ouvindo radinho de pilha em 90% do filme, emocionados quando toca a música deles nos Estados Unidos. Tem a morte brutal do cara no show dos Stones na frente da câmera dele. Em 35mm, isso dá outra emoção", conta.

Entre os vários longas-metragens inéditos brasileiros que o festival vai exibir, chamam a atenção É Candeia (2010), de Márcia Watzl, sobre sua vida dupla como sambista e policial; E Aí, Hendrix? (2010), de Pedro Paulo Carneiro e Roberto Lamounier, que mostra a roqueira baiana Pitty indo aos lugares emblemáticos onde Jimi Hendrix viveu em Londres e depoimentos de guitarristas estrangeiros e brasileiros influenciados por ele; e Nas Paredes da Pedra Encantada, de Cristiano Bastos e Leonardo Bonfim, que viaja na história do lendário álbum Paêbirú (de Lula Côrtes, morto no fim de março, e Zé Ramalho) e da divindade indígena Sumé.

Produção em alta. "A produção brasileira continua em alta. Mais gente tem prestado atenção nesse tipo de subgênero de cinema. Acho que ainda é cedo para dizer, mas talvez ter criado o verbete documentário musical tenha ajudado esses filmes a subir à tona", diz Andrade. "Chegaram mais de 100 títulos brasileiros novos para a gente avaliar, muita coisa tinha formato de televisão, outros confundiam reportagem com documentário. Conseguimos fazer uma seleção bem legal e ampla de linguagem cinematográfica, mas ficamos muito surpresos com a altíssima qualidade de filmes feitos para TV."

O festival endossa essa qualidade do documentário brasileiro, fazendo também um pequeno panorama de filmes de sucesso em anos anteriores, incluindo dois títulos de Lírio Ferreira, Cartola - Música para os Olhos (2006, parceria com Hilton Lacerda) e o fundamental O Homem Que Engarrafava Nuvens (de 2008, com Denise Dumont). Os filmes serão exibidos no MIS e Matilha Cultural (com entrada grátis), Cine Olido (R$ 1), Cinesesc (R$ 4), e Grande Cine Livraria Cultura (R$ 10). Veja programação completa e mais informações no site www.in-edit-brasil.com.

CINCO PRODUÇÕES DE CONTEÚDOS HISTÓRICOS QUE VALEM A PENA

1. What's happening! The Beatles in USA

Sobre a primeira turnê do grupo nos EUA. Dia 5/5, 21 h, Cinesesc.

2. Flamenco Flamenco

Um dos quatro filmes de Carlos Saura, homenageado da mostra. Dia 29, 21 h, no Cinesesc.

3. Filhos de João

Histórias do grupo na comunidade de Jacarepaguá. Dia 29, 17h30, na Matilha Cultural.

4. E aí Hendrix?

Roqueira baiana Pitty faz tour por Londres com guitarristas. Dia 30, 19 h, na Matilha Cultural.

5. Gretchen na Estrada

A cantora Gretchen roda o Nordeste rebolando em arenas de circos. Dia 4/5, 19h30, no MIS.

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