Olho e verdade na obra de Dziga Vertov

Operação: Salvem os Golfinhos

LUIZ CARLOS MERTEN, O Estado de S.Paulo

10 de maio de 2012 | 03h08

16H05 NA GLOBO

(Beneath the Blue). EUA, 2010. Direção de Michael D. Sellers, com Caitlin Wachs, Paul Wesley, Ivana Milicevic, Michael Ironside, Samantha Jade.

Especialistas em golfinhos confrontam a Marinha americana, cujo programa de sonar é suspeito de estar provocando a morte dos animais. Sessão da Tarde com consciência ecológica. Reprise, colorido, 113 min.

O Homem da Câmera

23H30 NA CULTURA

(Chelovek s Kino-Apparatom/Man

With the Movie Camera / Living

Russia). União Soviética, 1929.

Direção de Dziga Vertov.

O russo Vertov pautou seu cinema pelo gosto do experimentalismo e entrou para a história como um dos mestres do documentário. Ele criou o kinoglaz, cinema olho, e o kino pravda, cinema verdade. Aqui, conta a história da película, desde a entrada na câmera até a projeção na tela. Seu filme transforma vida em espetáculo visual. No momento em que Peter Greenaway, conferencista do ciclo de debates Fronteiras do Pensamento (na terça-feira), proclama que o cinema está morto, a obra de Vertov, e este filme em especial, podem ser considerados peças de museu. Podem? O fascínio de O Homem da Câmera - também chamado de Um Homem com Uma Câmera - é perene. Mas Jean Tulard tem razão em seu Dicionário de Cinema - a parte 'lírica' do cinema de Vertov foi a que mais envelheceu. Reprise, preto e branco, 68 min.

Brasília, Um Sonho de Três

Séculos

0 H NA TV BRASIL

Brasil, 2010. Direção de Pedro Jorge.

O episódio final da série que retraça a história da construção de Brasília. No enterro de Juscelino Kubitschek, durante a ditadura militar que o havia cassado, reuniu-se mais gente para celebrar o ex-presidente do que na inauguração da Capital Federal. O filme reflete a cidade como coração do Brasil - dor, na morte de JK; euforia, no comício das Diretas; dor de novo, na morte de Tancredo Neves, o político que arquitetou a transição, e não governou. Reprise, colorido, 30 min.

Depois Rola o Mocotó

0H30 NA TV BRASIL

Brasil, 2009. Direção de Débora

Herszenhut.

Duas famílias constroem as lajes de suas casas no Rio e a diretora Débora Herszenhut parte daí para traçar um amplo painel sobre a importância desse espaço na dinâmica social da periferia. A laje é o ponto de encontro do churrasco, do samba, das crianças que soltam pipa. Virou área de convivência, de interação. Mas também era, na época - pré-pacificação dos morros cariocas -, a guarita do tráfico para conter o avanço da polícia. Reprise, colorido, 52 min.

TV Paga

Os Inocentes

14H50 NO TCM

(The Innocents). Inglaterra, 1962. Direção de Jack Clayton, com Deborah Kerr, Michael Redgrave, Peter Wyngarde, Pamela Franklin, Martin Stephens.

Por volta de 1960, era difícil, senão impossível, deixar de reconhecer no inglês Clayton um dos maiores diretores do mundo. E, após Leilão de Almas, que deu o Oscar para Simone Signoret, ele fez esta adaptação de A Volta do Parafuso, de Henry James, sobre governanta contratada para cuidar de duas crianças assombradas por fantasmas, que podem ou não ser reais, numa mansão inglesa. Truman Capote é coautor do roteiro e o filme foi esplendidamente fotografado, em preto e branco, por Freddie Francis. Pelo clima, é o que os críticos chamam de obra-prima de terror gótico, uma modalidade mais densa (e sutil) do que as fantasias sobre Drácula e Frankenstein produzidas pela Hammer, na época. Mas o filme não seria tão bom sem Deborah Kerr na pele da protagonista. Reprise, 100 min.

Alcatraz, Fuga Impossível

22 H NO TELECINE CULT

(Escaé from Alcatraz). EUA, 1979.

Direção de Don Siegel, com Clint

Eastwood, Patrick McGoohan.

A última parceria de Clint com Siegel. Ator de segunda nos EUA, ele havia iniciado uma nova carreira na Itália, nos spaghetti westerns de Sergio Leone. De volta à 'América', fez vários filmes com Siegel, esculpindo o mito de durão. Um desses personagens típicos é o presidiário do cartaz de hoje da TV Paga. Clint vai preso, conhece o inferno no presídio dirigido pelo brutal Patrick McGoohan. Como reação, o herói planeja e executa sua fuga, considerada impossível. Na época, Clint já vinha dirigindo regularmente (desde Perversa Paixão, de 1971). Apesar de tudo que admitia dever a Siegel, ele infernizou a vida do mestre e encerraram os anos de convivência. Reprise, colorido, 112 min.

A Idade da Terra

1H45 NO CANAL BRASIL

Brasil, 1980. Direção de Glauber Rocha, com Tarcísio Meira, Norma Bengell, Jece Valadão, Antônio Pitanga, Ana Maria Magalhães, Danuza Leão.

O último filme de Glauber também é o mais polêmico do autor. Não conta propriamente uma história, mas acumula, de forma descontínua, informações de denúncia social e política em torno a representações simbólicas do Cristo, como operário ou figura do candomblé. Não é para todos os gostos, e poderá parecer interminável, mas tem momentos fortíssimos. O próprio Glauber admitia ter rompido, aqui, com o cinema teatral e ficcional. Reprise, colorido, 134 min.

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